07/07/2014O avesso da Dona Benta


Eu acho que a primeira recordação que tenho da minha avó é das unhas. Ela sempre teve unhas compridas, meio pontudas, duras e geralmente pintadas. Tamborilava os dedos na mesa e eu queria aquelas unhas pra mim. Adorava o som que faziam. Infelizmente não herdei unhas assim.

Durante grande parte da minha infância, minha avó Inês morou fora. Uma vez voltou pro Natal sem avisar, se vestiu de Papai Noel e entrou em casa assim,vinda do aeroporto. Entrou encantando as crianças no meio das comemorações, o saco cheio de presentes. Esse dom da surpresa com um quê de teatralidade eu herdei sim, com certeza.

Depois de mais de dez anos morando nos EUA, casada com um colombiano bigodudo e simpático, ela voltou ao Brasil, e minha adolescência foi mais engraçada todas as vezes que estávamos juntas. Em tanto tempo morando em outro país, ela parecia se orgulhar de nunca, de fato, ter aprendido outra língua, nem o inglês, nem o espanhol. Misturava tudo com o português numa geléia divertidíssima. Janela era “ventana”. Microondas era “microwave”. Ela parecia fazer questão de ser diferente. E era.

Viajamos juntas quando fiz 16 anos. Não queria festa, então ganhei a experiência, e saí com ela desbravando Nova Iorque. Lembro que achava absurdo alguém conseguir viver lá sem falar inglês, a cidade parecia tão superlativa que te devoraria num instante. Mas não a ela. Minha avó não era do tipo de se deixar devorar.

Minha avó era o extremo oposto da Dona Benta. No lugar do coque, tinha apliques, perucas, lenços e turbantes. Nunca vi outra avó que usasse turbante. Os dedos tinham sempre anéis e no pescoço um colarzinho de ouro que tinha um pingente de tesoura, lembrança do tempo em que ela costurava. Nunca soube ao certo o que fazia nos Estados Unidos, mas ela sempre me mostrava os dedos compridos, com pouca carne, resultado de muito tempo costurando na fábrica. Fazia abajurs. A casa dos meus pais tinha alguns deles.

Nos últimos anos, minha avó pulou de casa em casa, tudo por vontade própria: seu maior passatempo era olhar anúncios de imóveis no jornal. Acordava cedo no domingo, comprava o jornal e marcava o que interessava. Dali já partia para visitar. Isso com mais de 80 anos. Uma dor de cabeça para quem estivesse do lado, um divertimento a mais pra ela, a prova de que ainda era independente, que estava viva.

Mesmo bem fraquinha, quis saber tudo da Ana Elis. Como se já soubesse que não poderia vê-la pessoalmente, insistiu em mil fotos, enviadas pela minha mãe em um porta retrato alimentado por pen drive, repetindo num looping eterno imagens do pós-parto, dos primeiros dias, do olhar compenetrado que parece ser uma característica da minha filha. Por telefone, quis saber tudo, dar conselhos, avisou que minha mãe ficasse de olho “nessas crianças”, eu incluída. Se tivesse forças, minha avó viria aqui para mostrar como criou 4 filhos. Mas não precisa, vó, não hoje.

vovó

Minha avó Maria Inês, mãe da minha mãe, morreu na última sexta-feira. Mesmo triste, eu não consigo deixar de pensar em tudo que vivemos. Essas recordações não podem ir junto com ela – vão estar sempre vivas comigo. Obrigada, vó.


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Por Aí...

27/06/201440 minutinhos e por enquanto é só


walking

Outro dia estávamos João e eu em casa, no sofá, Ana Elis dormindo, a gente vendo TV. Ambos cansados. De repente, senti falta de alguma coisa. Naquele momento, em silêncio, eu percebi: há semanas não falávamos sobre a gente. Sobre a gente como casal, sobre nossa vida, sabe? Nosso assunto é sempre a bebê. O que ela fez, o que não fez, o que vai fazer. A gente fala dela, eu mostro fotos que tirei durante o dia, vídeos no celular. Ele já não me falava sobre o trabalho, sobre algo interessante que viu na rua ou leu no jornal. Já eu, o que posso dizer? Acordo, como, respiro e durmo Ana Elis. Estamos 24h por dia juntas. Quando encontro outras pessoas, geralmente é na pracinha aqui perto de casa e, adivinha: são outras mães. E assunto preferido de mãe é filho.

Existe essa imagem forte, acho que vem de novela, de que filho prende marido, que une casal. Eu não posso concordar, acho que até desune. Porque você está sempre cansada, e cansada muitas vezes rima com estressada, de mau humor. Daí pra descontar em quem está mais perto é mole. E parece que você deixa de ser a amante para ser a mãe – acho que tem muito a ver com as olheiras e as golfadas. Em que momento viramos só os pais da Ana Elis? A maternidade passa como um rolo compressor na nossa vida e, sem perceber, você vira aquela pessoa que só tem um assunto. HELP.

Lembrei que sou só mais uma moça de 29 anos e descobri uma série para acompanhar. Bobagem? Vai por mim. O milagre se deu quando João também gostou da série – ele costuma detestar a maioria dos meus programas favoritos, com destaque para Fashion Police, que ele não consegue nem escutar de longe – e, quando fui ver, já estávamos acompanhando a 2ª, depois a 3ª e agora já estamos na 4ª temporada.

Agora, por 40 minutos, não falamos em Ana Elis, não assistimos vídeos ou vemos fotos de bebês. É hora de Walking Dead. E você ainda deve estar aí achando bobeira minha, mas olha, o último seriado que acompanhamos foi LOST, e isso já tem anos. Então, enquanto nossa filha dorme, um olha pro outro e fala: Partiu um Walking? e a gente se aninha no sofá, comenta os principais lances do episódio, faz apostas sobre quem vive e quem morre e pronto, somos um casal de novo. Simples assim.

P.S.: Esse fim de semana vou assistir o último episódio da 4ª temporada, então no spoilers, please.



11/06/2014Para amamentar sem perder a pose


Quando saí da escola e entrei na faculdade, fiquei obcecada por roupas de universitária (seja lá o que isso for). Quando arrumei meu primeiro estágio, adicionei roupas de repórter ao meu armário. Lembro quando comecei a trabalhar e minha mãe me levou para, adivinhem, comprar roupas novas para o ambiente corporativo. Seguindo essa linha, passei por um momento em que só pensava em roupas para a gravidez e agora, tcharãn, passo longos períodos pensando, buscando e analisando roupas que permitam amamentar.

Antes que a Ana Elis nascesse, escrevi esse post aqui sobre o tema. De lá pra cá, elaborei uma lista mental mais concisa de peças que têm me acompanhado nas últimas saídas com o bebê:

- Blusas/Vestidos transpassados;

- Blusas/Alcinha de alcinha;

- Camisas de botão;

- Blusas com gola que permita “manobras”, como a canoa, em materiais como malha e algodão;

- Blusas soltinhas que permitam sobreposição com camisetes;

- Para a parte de baixo: shorts, bermudas e calças skinny.

Além do desafio do vestuário (que inclui não só as manobras para tirar e colocar o seio de dentro da roupa, mas também tecidos que disfarcem as eventuais golfadas), que eu encaro com gosto, há o desafio social de amamentar em público. Nunca aconteceu nada comigo diretamente, mas a gente sempre escuta casos de mulheres que foram constrangidas por estar amamentando em “local não permitido”. Confesso que, sempre que possível, prefiro amamentar em um local mais discreto – entro em um café, sento em uma mesa mais no canto, por exemplo – mas, depois de um tempo, acho que vai ficando mais tranquilo, mais espontâneo. O que eu ainda não curto e tento evitar a todo custo é amamentar na frente de conhecidos. Porque deixar que pessoas que eu nunca mais vou ver na vida vejam o meu peito é fichinha. O problema, pra mim, é expor a peitola prum amigo ou parente. Não me sinto confortável, e nunca me senti confortável quando alguém amamentava na minha frente assim, sem muita cerimônia. Então, sempre que estou na casa de alguém, procuro um quarto vazio ou um cantinho mais reservado. Mas essa sou eu, não é uma questão de achar certo ou errado, só prefiro assim.

Dia desses estava com o catálogo da Totem (AMO essa marca – calma, não é publi) e vi alguns looks que super podem ser usados por mulheres que estejam amamentando e que, como eu, não querem perder a identidade ou a batalha contra o pijama (às vezes o pijama leva a melhor):

Totem (2)

Vestido de alcinha é sempre legal. E longo, sempre elegante. Só não rola de ir pra pracinha, tá? 

Totem (1)

Camisa de botão: ok, sem novidades por aqui. Camisete por baixo: o pulo do gato.

Totem (4)

Vestido de alcinha, já sabemos. Pashmina fina: elegante cobertura para o busto na hora do vamos ver.

Totem (3)

Manga comprida e botões.

Para mostrar que estou colocando em prática mesmo, olhaí:

IMG_6921-2

IMG_6928-2

Blusa Totem, Bermuda Zara, Sapatilha C&A


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Looks, Maternidade

11/05/2014Alguns pensamentos no meu primeiro dia das mães


IMG_20140501_160856328_HDR

Existe uma coisa muito poderosa em ser mãe. É quase cafona e bem clichê falar em dar a luz, gerar uma vida, etc, etc, e não é bem disso que estou falando, apesar de incluir esse discurso. Acho que ser mãe empodera a mulher porque de repente você passa a ser a pessoa mais importante na vida de alguém. Agora que Ana Elis tem 3 meses, eu posso dizer que ninguém a conhece mais do que eu – nem o João. O tempo que passamos juntas criou uma estrutura emocional que nos une. Mesmo tão pequenininha, eu vejo admiração nos olhos dela toda vez que olha pra mim. Às vezes ela para de mamar e fica me olhando, olhando… eu já consigo saber quando ela está com sono, quando está irritada, quando está de bom humor. Basta uma olhadinha para saber, para sentir. Isso me faz sentir tão responsável, tão adulta, e me faz amá-la ainda mais. É sério: acho que a amo mais hoje do que logo que ela nasceu. Deve ser porque a gente se conhece mais.

[Quando ela chora, eu automaticamente digo Calma... mamãe está aqui, e não sei de onde tirei isso. Na verdade, sei. Minha mãe falava pra mim. E quando minha mãe está do meu lado, pode rolar tiro, porrada e bomba que eu estou segura. E mesmo que ela tenha medo, eu não tenho. Vai dizer que isso não é um superpoder?]

Acho que o auge de ser mãe deve ser aquele momento do conflito. Aquele momento em que o filho faz uma coisa qualquer e você diz que não, que faça assim, e quando ele quiser fazer assado e perguntar por que deveria fazer o que você falou, a resposta será: porque eu sou sua mãe. Porque eu sou sua mãe é o auge da maternidade, diz aí.

*****

Não tem um anúncio de Dia das Mães que não me faça chorar, e agora nem posso colocar a culpa nos hormônios. Tem um que tem um menino na cama do lado de um bebezinho chorando, e ele diz “não chora muito essa noite não porque amanhã é o dia dela”, e eu penso cacete, e quando eu tiver outro filho, um bebê vai acordar o outro?! e a carinha do bebê do anúncio é tão fofa e, quando vou ver, já estou chorando. Já vi na TV umas 3 vezes, e minha reação é sempre a mesma.

 

****

Também me peguei chorando outro dia vendo o noticiário. A gente está vivendo um período tão brabo, mas tão brabo que, se você acredita nessas coisas, tá na hora de Jesus (ou qualquer que seja seu Messias) voltar. Eu fico pensando que é o fim do mundo. Linchamento virou moda – aqui no Rio, resolveram fazer justiça com as próprias mãos e prenderam um menino pelo pescoço em um poste; em São Paulo, espancaram em mataram uma mãe de família – e nessa de olho por olho, vamos acabar todos cegos. Eu fico pensando no mundo que a gente vai deixar pra geração da Ana Elis. Um mundo cheio de intolerância, em que vale o cada um por si, em que todos são culpados até que se prove o contrário. Um mundo cada vez mais violento, com ladrão roubando ladrão. Com gente sem esgoto em casa. Com criança sem escola. Com gente que odeia preto, viado, mulher, torcedor de outro time. Com família sem casa, invadindo a propriedade alheia. Com doente morrendo em fila de hospital. Com cidades enormes sem transporte público decente. Com estádio de futebol bilionário do lado de favela. Com gente sendo tratada como gado.

Dá uma vontade grande de sair dessa cidade, desse país, ficar isolado numa ilha. Uma ilha com internet e telefone e tv a cabo, vá lá. Tá, uma ilha com algumas pessoas, umas poucas pessoas legais. Mas isso não é possível, isso é uma piada. Então o melhor é fazer de tudo, tudo mesmo, para que Ana Elis faça a diferença nesse mundo já tão destruído. Que seja ela a semente dessa mudança – que sejamos todos nós os agentes de um mundo mais tolerante, por favor.


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade

09/05/2014Post Colaborativo :: Um vinho diferente para cada tipo de mulher


Eu sempre me solidarizo com estudantes de jornalismo. Se forem leitoras do blog então, melhor ainda. Por isso, quando a Isabel* perguntou se poderia escrever um post sobre o dia das mães especialmente para o So Shopaholic!, eu fiquei feliz em poder ajudar no seu portfolio.

*****

Sabemos que cada mulher tem uma peculiaridade e uma personalidade diferente. E essas características ficam ainda mais aguçadas quando nos aproximamos de uma data muito especial, o Dia das Mães. Uma mistura de ansiedade e surpresa toma conta da mulher, seja ela mãe, filha ou neta. Por essa variedade toda é que decidimos combinar alguns tipos de vinho com cada tipo de mulher. E não é que deu certo? Veja com qual você mais se parece e confira se te agrada.
A dica, retirada de um post do blog Sonoma, site especializado para quem deseja comprar vinhos, pode cair também com uma luva para o domingo, já que você pode presentear sua mãe com o vinho que mais combina com ela ou fazer um almoço e harmonizar a comida com a bebida que tem a cara dela.

Confira as combinações:

s1
“Mãezona” – Se a sua mãe não fica um dia sequer sem te ligar, vive preocupada com os filhos e deixa o almoço sempre pronto para quando você chegar, o vinho que mais combina com ela é aquele que agrada e serve todos que estiverem na mesa. Um Malbec argentino, então, é o recomendado. Ele possui potência e um toque adocicado. Todo mundo vai gostar.

s2

Mãe mandona - A palavra final é sempre dela e as decisões também. Ela é quem dá as cartas e comanda tudo em casa. Nesse caso vá de Cabernet Sauvignon. Esse vinho é considerado como a “a rainha das uvas” e é potente como uma mulher autoritária.

s6

Sexy Mama - O seu visual para o trânsito e deixa todos de queixo caído. O perfume é na medida cerca e o salto é indispensável. Para combinar com essa sensualidade toda, só um Pinot Noir, feito com a mais sensual das uvas.

Mãe dos bichos - Sua mãe não pode ver um animal indefeso na rua que quer levar para casa e cuidar para sempre? Então ela também tem um tipo de vinho especial, recomendado para quem ama os animais. É o vinho tinto da Toscana. Um Chianti também pode cair muito bem.

s4

Mãe elegante - Ela está sempre impecável, passa horas no cabeleireiro e sabe as regras de etiqueta todas de cabeça. Além disso, ela não desce do salto por nada. Se sua mãe é assim, então só mesmo um vinho do tipo Bordeaux, certinho e correto, como ela.

Mãe descontraída - Se ela vive de bom humor, não liga de acordar atrasada e nem para retoques na maquiagem ou cabelo, então ela vai adorar um Prosecco. O estilo mais à vontade combina com esse vinho, que é leve, descontraído e brincalhão com suas bolhas.

s5

Mãe romântica – Adora jantar à luz de velas, surpresas, músicas melódicas e se derrete com comédias românticas e afins? Então não tem jeito. Para tanta doçura assim só mesmo um vinho do tipo colheita tardia para combinar com ela.

 

* Isabel Lya tem 18 anos, é estudante de jornalismo e ama escrever. É bailarina, amante de carnaval e da Avenida Paulista.


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Por Aí...

30/04/201424 macetes e algumas canções


Imagina a cena: depois de uma tarde inteira sem querer dormir, só afim de colo e movimento (não vale sentar!), Ana Elis esgota as minhas energias. Sem saber o que fazer, com ela no meu colo, sento no sofá e fico olhando para ela e escutando aquele chorinho. No desespero, eu choro também. Mamãe não sabe mais o que fazer, filha. Não sabe. Desculpa. A mamãe não aguenta mais, acabou a paciência, filha, não tem jeito. E essa é a única mãe que você tem. Diante do meu desespero, ela para de chorar. Para e fica olhando pra mim, os olhinhos arregalados, ainda molhados com as lágrimas. Ela esboça um sorriso. E viva o seu segundo mês!

Essa é a mãe que você tem é a frase que deve ilustrar o segundo mês de vida de um bebê, ou pelo menos desse bebê. Quando me diziam que depois do primeiro mês tudo melhoraria, não estavam me enganando: melhora mesmo. Você passa a conhecer aquele serzinho e ele conhece você. Aqui o 2º mês ainda começou com uma virada espetacular: uma noite (praticamente) inteira de sono. Tá, eu acordei umas 3 vezes, mas Ana Elis só acordou duas. Duazinhas! Isso porque no 1º mês ela acordava 4, 5 vezes por noite. Quando esse momento incrível aconteceu, parecia até mentira. Quando eu abri os olhos de manhã e estava sol, virei pro lado e falei pro João, sorrindo: Isso é que é felicidade.

Ana Elis já se encaminha para o 3º mês, e nesse tempo eu aprendi um montão de macetes acalma-neném (alguns bem óbvios, mas vá lá, serve para mães de primeira viagem). Achei que faria um bem a humanidade se compartilhasse eles aqui. Pode me agradecer nos comentários ;)

 

Macetes Acalma-Neném

1 – Troque a fralda (pode estar suja, molhada, apertada);

2 – Verifique a temperatura do ambiente (pode estar muito calor, muito frio);

3 – Verifique a claridade (se tiver luz direta nos olhos, Ana Elis vira um monstrinho);

4 – Dê um banho morninho;

5 – Amamente (mesmo que já o tenha feito há pouco tempo. O leite materno tem propriedades calmantes e o ato de amamentar aconchega o bebê);

6 – Enrole o bebê (o útero era quente e apertadinho, e muitas vezes os bebês sentem falta disso. Só tome cuidado para não apertar demais ou imobilizar o movimento das pernas);

7 – Faça uma massagem (há vários vídeos de shantala na internet, são simples e podem ser feitos a partir de 1 mês de vida);

8 – Leve-o para fora (vale uma ida à área ou varanda, bem rapidinho);

9 – Faça shhhhhh! bem alto, perto da orelha do bebê (pode parecer grosseiro, mas funciona!);

10 – Faça um movimento brusco com ele no colo (como virar para a direita ou para a esquerda) (segure o bebê com firmeza e tome cuidado com a cabeça!);

11 – Coloque o bebê na frente de um espelho, vá afastando ou aproximando devagar;

12 – Mude a posição no colo (desde que descobri que Ana Elis prefere ficar numa posição meio “sentadinha”, com as costas apoiadas na minha barriga e pernas penduradas, minha vida mudou) (muitos bebês curtem ficar meio tortos mesmo, na diagonal);

13 – Dance com o bebê no colo (vale tudo, da valsa ao samba. Para a Ana Elis, quanto mais sacudir, melhor);

14- Levante o bebê acima da sua cabeça, devagar e na vertical, como se ele estivesse voando (Ana Elis odeia, mas Mattheus sempre amou);

15 – Segure o bebê, deitado, numa posição horizontal meio Super Homem, como se ele estivesse voando (Ana Elis ama);

16 – Coloque o bebê deitado de bruços (Ana Elis AMA);

17 – Coloque um desenho animado bem coloridão na TV (Ana Elis curte até jogo de futebol, acho que gosta de todo aquele verde);

18 – Saia para um passeio de carrinho (quanto mais buracos na calçada, melhor, pelo menos por aqui);

19 – Saia para um passeio de carro (sono certo por aqui, mas o bicho pega se estiver engarrafado);

20 – Sente, com o bebê no colo, em uma bola de Pilates, e comece a quicar suavemente;

21 – Batuque no bebê (juro que dá certo! De levinho, nas costas e no bumbum, faço o batuque do Olodum e ela não entende nada, mas para de chorar);

22- Fale com o bebê (li em algum lugar que o som que os bebês mais gostam são as vozes humanas. Tente tons de voz diferentes);

23 – Coloque um “som branco”: máquina de lavar, ventilador, secador de cabelo (existem até aplicativos com esses sons. Recomendo!);

24 – Cante. (Quando Ana Elis está no auge do choro, eu canto uma ou duas músicas mais animadas, dançando com ela no colo. Isso faz com que ela preste mais atenção em mim e menos no choro. Daí, corto para uma música mais lenta, cantando mais baixo, cabeça com cabeça. Fecho as cortinas e insisto nesse ritmo até ela dormir.)

[Outro dado importantão que mudou a minha vida foi saber que um período de 2h é o suficiente para cansar um bebê pequeno. Desta forma, já dá pra saber que, depois de duas horas acordada, Ana Elis vai ficar invariavelmente chatinha. Ah, e outra informação valiosa: quanto mais cansado o bebê estiver, mais irritado ele fica, e mais difícil é pegar no sono. Então aquela ideia de vou deixar o máximo acordado de dia para ele dormir à noite pode sair pela culatra]

Fase 1: Quando ela está chorando

 

Fase 2: Quando ela já está com sono

 

E se tudo isso der errado, Fernanda?

Aí não tem jeito, amiga, coloca esse neném pra lavar com a roupa suja:

IMG_20140428_142656432

Ops.


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade

24/04/2014Saintropeito * e os melhores sutiãs de amamentação


Outro dia Valesca Popozuda estava no programa da Ana Maria Braga (não me perguntem onde eu estava com a cabeça pra ver um programa desses) falando sobre, entre outras coisas, as intervenções cirúrgicas que fez no corpo. Na hora de falar sobre o silicone nos seios, ela começou a frase dizendo que depois que tive neném, meu peito caiu, ao que foi prontamente interrompida pela apresentadora: mas amamentar não faz o peito cair!, falando com uma propriedade que só Ana Maria Braga parece ter. Vanessa não se fez de rogada e replicou: aaaaah, o meu caiu!  e a discussão terminou por aí.

Eu não posso dizer (ainda) se a amamentação muda o peito da gente, mas uma coisa é certa: os meus vão de Pamela Anderson à Dercy Gonçalves em um dia. Ou em poucas horas. Explico: quando meu leite desceu (aproximadamente 2 dias depois do parto), eu achei o máximo. Mesmo duros e doloridos, eu achei maravilhoso aquele peitão, vixe que coisa linda. Na época em que comemorava, minha amiga Ana, mãe de um bebê de 4 meses (que você conheceu nesse post aqui), avisou que durava pouco. Dito e feito: logo que o bebê passa a mamar todo o conteúdo do seio, você vê a mágica acontecer – e nem toda mágica é boa. Logo depois de amamentar meu peito fica muuurcho, lá em baixo mesmo, ladies and gentlemen.

Some a isso sutiãs de amamentação sem armação (comprei um com aro que na hora do vamos ver é uó) e, por isso, praticamente não sustentam um busto maior e mais pesado (estou vestindo 46) e pronto, parece que não tem blusa que vista bem. E eu alterno esses sutiãs com tops e camisetes que, na minha opinião, são mais práticos – como são elásticos, você só precisa esticar e colocar o peito pra fora – então já me conformei e decidi que, quando sair com a Ana Elis, praticidade vale mais do que sustentação. Vou fazendo embaixadinha com os peitos e beleza.

LIZ61500_2 Esse modelo de sutiã é ótimo, dá para abrir rapidinho e, logo que o bebê termina de mamar, você dá uma puxada. Assim, mesmo sem estar fechado no botão, seu peito não fica exposto pro povão. (Já vi da marca Liz, mas é bem mais caro. Comprei da MyLady e achei ótimo, pena que escolhi o número errado)

 

MYL3642_2 Esse é o meu preferido, também da MyLady. Peito in e peito out na velocidade da luz, sem contar que é confortável e barato.

Essas fotos de look eu fiz em um encontro na casa dos pais do João. Blusa gola V que facilita as manobras. Estou aproveitando qualquer situação para me arrumar, sair, e se o tempo estiver fresco, melhor ainda. Nesse dia deu para usar saia longa sem ficar com as coxas suadas (imagem terrível, apaga!) e manter a dignidade. Ah, eu adoro o outono!

peitas (4)

 peitas (14)

peitas (16)

peitas (29)

*Peito “cintura baixa”, logo abaixo do umbigo



17/04/2014Cala a boca já morreu (?)


Eu nem sonhava em engravidar quando ouvi da Fêzinha a seguinte frase: “depois que você se torna mãe, aprende a não julgar”. Na hora eu logicamente pensei que não era pessoa de julgar. Imagina, eu? Mas lógico que era, e acho que sempre julguei um pouco a mãe que não amamenta, ou que deixa o filho chorando no berço, ou que dá chupeta. Eu sempre tive essa posição contra chupeta. Nada muito radical, mas sempre li que deixava os dentes tortos e, intimamente, sempre vi como um “cala a boca” para a criança. Tá enchendo o saco? Mete a chupeta.

Justamente por ter essa ideia, me surpreendi quando o pediatra sugeriu o uso da dita cuja. Como assim, e os dentes? Procurei uma segunda opinião. Chupeta liberada. Perguntei pra minha amiga médica, que repetiu o discurso dos dois: “alguns bebês tem uma necessidade maior de sucção”. O mundo devia estar muito louco mesmo.

Pois daí que, logo no primeiro mês de vida da Ana Elis, a frase da Fê ressoou na minha mente. Quando você está cansada, dormindo pouco e seu bebê chora sem parar a tarde inteira, fica muito mais suscetível a aceitar qualquer receita milagrosa. Você passa a entender qualquer coisa feita por uma mãe em um momento de desespero. Segurar o bebê de barriga para baixo? Suspender a criança como o Super Homem? Dar a chupeta? Tudo passa a ser visto com bons olhos se aliviar um pouco o cansaço e o choro agudo e sem fim.

Comprei a chupeta. Mantive na bolsa por quase uma semana. Só comentei com o marido depois. Lavei, esterilizei e guardei. Eis que numa tarde recente, Elis com mais de dois meses, horário do pico da irritabilidade: 17h. Coloquei a chupeta. Devia ter filmado! Ela arregalou os olhos, chupou, colocou a língua pra fora, cuspiu. Eu segurei. Tentei de novo, dessa vez com a mão na frente, pra que ela não cuspisse. Os olhinhos vermelhos de quem chorava há meia hora e a boca tapada com o plástico verde, o rostinho virado pra mim… Chupou, colocou a língua e cuspiu a chupeta na minha mão. Mas não voltou a chorar – ficou ali, olhando pra mim com os olhos suplicantes do gato do Shrek. Fiquei com pena, culpa, tudo junto. É essa a tal culpa de mãe que todo mundo comenta? Deixei a chupeta de lado, cantei uma musiquinha e a menina dormiu.

 

~Não posso dizer, hoje, que sou contra a chupeta. Já tentei de novo e Ana Elis aproveitou por uns 10 segundos antes de cuspir de novo. Mas não sei se vou insistir. Sempre parece que estou calando a boca dela, literalmente. É quase como o porquinho com a maçã na boca, como a gente vê em desenho animado. De qualquer forma, a danada está limpinha e guardada para uma futura emergência ~

 

E aí, quem tem histórias de chupeta para contar?


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade

14/04/2014Não solicitados, mas sempre compartilhados


Imagina um dia normal: você toma banho, penteia o cabelo, troca de roupa e sai. De repente, todas as pessoas estão olhando para você. Mais do que olhando, estão comentando. Mais que comentando, estão te aconselhando.

Ih, querida, esse cabelo não ficou legal, já pensou em tingir?

Olha que essa maquiagem te envelhece! Tenta outro corretivo da próxima vez.

Já comprei um sapato assim como o seu, achei péééssimo. Se eu fosse você, nunca mais voltava nessa loja.

Você gosta de usar calça jeans, é? Eu só uso saia.. Acho mais bacana.

Saiu de casa comendo um salgadinho? Isso faz um maaaaal…!

Perfeitos desconhecidos falando sobre a sua roupa, seu cabelo, até sobre o que você está comendo…? Estariam todos loucos? Aparentemente não. É que agora você tem um filho.

 

Dia desses saí para passear com a Ana Elis de manhã cedinho, fomos à feira livre que tem aqui perto de casa. Ia tudo correndo muito bem quando a bebê abriu o berreiro. De fralda limpa, noite bem dormida, barriguinha cheia de leite… mas chorando. E quando Elis chora, sai de baixo: a menina fica vermelha, parece que vai explodir. Andei com o carrinho um pouco mais rápido, mirando os buracos (quanto mais o carrinho sacode, mais ela gosta) evitei parar nas barracas, comecei a suar. Ao meu redor, pipocavam olhares e muitos, muitos comentários:

Esse chorinho é de fome, mamãe. (sim, as pessoas passam a te chamar de mamãe)

Tadinha, está com sono…

Mas esse carrinho é muito quente!!

É muito sol para um bebezinho tão pequeno.

Ai, se fosse eu pegava no colo.

Quem é mãe dá a dica por já ter passado por isso. Quem não é, porque não pode ficar calado diante do sofrimento daquele ser tão pequeno. Nas redes sociais, outro dia, fui postar uma foto de duas garrafas de chá gelado e pronto: muito açúcar. Muita cafeína. Vai dar cólicas no seu bebê. Por isso que ela é assim (assim como? alguém mora aqui com a gente e se esconde no armário? ou são câmeras escondidas?). O fato é que todo mundo tem alguma coisa a dizer. Eu não sei exatamente o porquê e é provável que eu já tenha feito isso com alguém, mas o fato é que isso é muito chato, gente. Morre um bebê foca a cada vez que proferimos um comentário ou conselho não solicitado – mas eu, como boa babaca que sou, não mando ninguém cuidar da sua própria vida. Deveria. Deveria?


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade

31/03/2014Melancolia ou coisas que não se fala sobre maternidade (e alguns blogs bem família)


Quando se fala sobre maternidade, o tom geralmente é de alegria, claro. Mais do que alegria, um estado de encantamento, de transformação – aquela coisa de “meu filho mudou minha vida” que as celebridades adoram falar. De fato, o sentimento existe, te inunda, é mágico mesmo. Mas o que não se fala – não tanto, na minha opinião – é dos momentos não tão lindos. Eles existem e são chamados de “baby blues” ou melancolia. Eu passei por um período assim e achei importante contar aqui.

Comigo começou a acontecer lá pra segunda semana depois da Ana Elis nascer. Acho que começa no momento em que cai a ficha e você percebe que sua vida mudou mesmo, que nunca mais vai ser a mesma. Some a isso noites mal dormidas, todas as atividades interrompidas por choros de bebê (todas mesmo, inclusive ir ao banheiro, comer e trocar de roupa), a dormência na área dos pontos da cesárea (e, para piorar a minha situação, estrias que surgiram na última semana de gravidez), seios vazando leite (inclusive à noite, na cama), ficar de pijama o dia inteiro e o fato de não se poder sair de casa e pronto: dá vontade de sair para comprar cigarro e não voltar mais.

O sentimento me arrebatava sempre no fim da tarde, diante da perspectiva de mais uma noite acordando a cada 2h. O entardecer também coincide com um período especialmente crítico para a Ana Elis, em que ela fica irritada, chora muito, se debate, fica vermelha. Quando isso acontece, você dá o peito, troca a fralda, dá banho, voltinhas no colo e nada, todo mundo é taxativo: o bebê tem cólica ou gases. E você tem uma onda de tristeza porque não pode fazer muita coisa para mudar isso. Depois de muito tentar, você passa o bebê pro marido, que fica mais um tempo e passa de volta para você, como numa brincadeira de batata quente que parece não ter fim, e você se pergunta onde é que eu fui me meter?! 

Para completar, todas as minhas mídias sociais só apresentavam um estilo de vida que, aos meus olhos, eu nunca mais poderia ter, e suscitavam os piores pensamentos na minha cabeça, sério. Gente viajando o mundo - Eu nunca vou conhecer a Europa. As editoras de moda das principais revistas no meu instagram – Eu nunca poderei ir a uma Fashion Week. As pessoas comentando um determinado indicado ao Oscar - Eu nunca vou conseguir ver esse filme. As pessoas postando selfie na volta da academia - Eu nunca vou voltar ao meu corpo de antes. Moças comuns e seus looks incríveis – Eu só vou poder usar roupas com botões na frente. Depois de alguns dias vivendo assim, você vai perdendo o ânimo, e a simples expectativa de receber uma visita em casa te apavora.

Mas calma, ninguém cortou os pulsos por aqui. Na verdade, esse período de melancolia pós parto é bem normal, causado pela queda de hormônios produzidos durante a gravidez. Outros fatores psicológicos também influenciam: de repente você não é mais o centro das atenções, sua rotina muda, etc. Então, com o tempo, a barra mais pesada passou, e 3 coisas me ajudaram bastante nesse processo. Foram elas:

- Não basta ser pai, tem que participar: o João é um paizão e tem uma paciência de Jó. Tirou férias do trabalho e está em casa com a gente o tempo todo. Troca fraldas, coloca para arrotar, faz vozes para a Ana Elis (na nossa interpretação ela é um bebê casca grossa como o Baby Herman de Uma Cilada para Roger Rabbit), carrega para lá e pra cá quando ela tem cólica, coloca para dormir, limpa golfada. E, além disso, olha para mim e realmente percebe o que eu estou passando. Mesmo cansado, se oferece para uma massagem, vai pegar um copo d’água, coloca mais um travesseiro nas minhas costas. Me beija e seca as minhas lágrimas.

- Vaidade não é pecado: faz toda a diferença ter um momento para si. Eu percebi que preciso muito da minha vaidade, mesmo que ela me custe algumas horas de sono. Meu luxo hoje é tomar banho: coloco uma água morna e fico lá, respiro fundo, lavo o cabelo, coloco uma ampola de hidratação, no final ainda passo óleo no corpo (tentando dar um jeito nessas estrias malditas), creme, penteio o cabelo. Faço isso quando Ana Elis está dormindo ou já mamou e está com o pai. Dia desses até me maquiei, no outro fiz as unhas, no outro fiz uma massagem aqui perto de casa. Descobri que preciso me sentir bonita para estar feliz – e que quando estou feliz me sinto mais bonita.

- Siga quem se parece com você: ver pessoas sem filhos estava me deprimindo, confesso. Nas horas que estou mais cansada, prefiro arejar a cabeça com blogs mais família, que parecem comercial de margarina, sabe como? Penso que se eles conseguem, eu também consigo. Assim, indico 3 blogs de moças incríveis que conseguem driblar a dupla jornada:

bleubird

Bleubird é mais que um blog, é um estilo de vida. É hype, muita gente conhece e já existe há alguns anos. A autora, Miss James, é mãe de 4 filhos e fez do blog sua profissão. Nele, rolam parcerias com marcas grandes, como a J.Crew, e pequenas lojas do Etsy, por exemplo. O marido dela, Aubrey, é fotógrafo, e toda semana tem post com imagens lindas das crianças. Mais do que cor-de-rosa, é uma vida vintage, hipster, sépia. Quero ser essa moça quando crescer.

 

Mama Watters

Amanda é mãe dessa menina fofa, de uns 4 anos, de um bebê de poucos meses e autora do blog Mama Watters. O estilo é bem parecido com o do Bleubird, uma coisa meio “cool mama”, mas menos profissa. As imagens são inspiradoras e os textos também – o primeiro que li era justamente sobre como ela estava estafada com os cuidados com a casa e as crianças, e como ocupava seu (pouco) tempo livre. Tem posts sobre as crianças e também com receitas, músicas e pequenos projetos DIY.

Jen

O Jen Loves Kev também é um blog das antigas, nasceu em 2006 e sempre foi um blog família. No começo era sobre o casamento da Jen com o Kev, mas depois naturalmente se tornou um blog sobre a vida dela, dos filhos, das viagens. O que eu acho bacana é que a Jen é uma dona de casa comum com um toque de Sazon, sabe? Ela tem uma gordurinha aqui e ali, mas adora moda e posta seus looks do dia. Não é nenhuma fotógrafa mas registra momentos lindos das filhas, uma menina de 4 e outra de um aninho. E, entre uma coisa e outra, recheia o blog com posts “gente como a gente”, como o último, sobre viajar sozinha com duas crianças (isso pra mim é esporte radical).

Então é isso, gente, espero que esse post não tenha sido muito tapa na cara! E queria saber se vocês indicam outros blogs (de preferência nacionais) com famílias bacanas!

P.S.: Um blog bacana que encontrei nas minhas andanças virtuais, fica a dica!


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade