Praia do Aventureiro com crianças

A praia do Aventureiro, na Ilha Grande, faz parte de um conjunto de recordações boas da minha adolescência e começo da vida adulta. Era pra lá que eu ia com os amigos da escola, no começo do meu namoro com o João, até uns 20 e poucos anos, quando me formei e passei a visitar outros cantos.

O nome do destino faz jus a dificuldade em chegar lá. Para quem sai do Rio, é preciso viajar por duas horas até Angra dos Reis e, de lá, pegar um barco (de pescador ou lancha) até a praia, que fica no extremo oposto da Vila do Abrãao, lado mais acessível e urbanizado da Ilha Grande. Por isso, desde já eu quero deixar uma coisa bem clara: essas dicas de viagem são para quem está disposto a encarar alguns perrengues. A luz no fim do túnel tem a forma de uma praia linda e rústica, um dos meus lugares preferidos no mundo.

Nossa história (minha e do João) com o Aventureiro foi o motivo principal para querer levar a Ana Elis (com 3 anos e 10 meses) pra lá. A escolha por acampar também foi pessoal, baseada na nossa experiência anterior. Depois de tantos avisos, vem comigo pro paraíso!

Autorização

Assim como Fernando de Noronha e outras reservas naturais, há um número limitado de visitantes que podem estar no Aventureiro por vez. Por isso, é preciso assinar um termo de responsabilidade e receber uma autorização (pulseirinha) da TurisAngra antes de viajar. Reza a lenda que fiscais aparecem pela praia nas datas de maior movimento e expulsam quem não tiver a autorização consigo.

Como a gente fez: ligamos antes e soubemos que a TurisAngra (Av. Ayrton Senna, 454 – Praia do Anil (24) 3369-7704) abriria às 6h no dia do feriado. Chegamos por volta das 7h e pegamos a pulseira sem problemas ou filas.

Os três com cara de sono, a caminho da TurisAngra

Como ir

Como eu disse antes, só dá para ir ao Aventureiro saindo de Angra. Nós fomos de carro e, saindo do Rio, o percurso durou pouco mais que 2h. Há empresas de ônibus que fazem o trajeto, com custo por volta de R$ 70.

De Angra sai um barco para Aventureiro, e é aí que o bicho começa a pegar. Você não compra o bilhete desse barco em uma central, mas diretamente com o barqueiro. Em épocas mais concorridas, como véspera de feriado, fim de ano e Carnaval, basta chegar no Cais de Santa Luzia que eles começam a oferecer a viagem, que custa R$ 50 no barco lento, R$ 70 no rápido. Agora, se você quiser ir em uma data qualquer, talvez seja melhor entrar em contato com um barqueiro previamente.

A viagem no barco lento demora 2h30m.

A viagem no rápido (Flex) demora 50 minutos.

A escolha parece óbvia, né? Então corre, que o Flex esgota rapidinho e só tem uns 50 lugares.

O barqueiro que faz essa viagem rápida é o Ferreira: (24) 99827-1376, mas atenção, campeão! Ele não faz a viagem de volta. Não importa quantas promessas ele te faça, é pouco provável que o Flex te leve de volta pra casa no fim da sua estadia no Aventureiro, e não tem Procon que te salve dessa.

Como a gente fez: fomos de rápido e voltamos de lento, enjoados e vomitando na primeira hora de viagem (depois melhora).

Família tranquila no barco mais rápido para Aventureiro

Onde ficar

A lista completa de campings está disponível aqui. Não recomendo ver as fotos, tudo parece ruim. O que vale a pena, pra mim, é chegar cedo e olhar direitinho aqueles que tem a melhor infra, ao vivo. A gente costuma avaliar: se o terreno é fofinho (areia) ou duro; se tem raízes; se tem sombra; se a cozinha do camping é ok; quantos banheiros tem e se são ok também.

Para quem não quer se aventurar nesse nível (o que é compreensível), já existem “chalés” e hostels nesse lado da Ilha. Mas vale lembrar que tudo é meio precário (ou rústico). Peguei alguns contatos:

Tia Vera serve tapiocas, café da manhã e ainda tem um pequeno hostel.

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Esses são os chalés/quartos oferecidos pelo Camping do Luís.

Como a gente fez: Ficamos no Camping nº 3, um dos mais novos por lá, com terreno de areia, sombras e banheiro com água quente. A cozinha tinha fogão, então nem precisamos usar o nosso fogareiro. Pagamos R$ 20 a diária, por pessoa (criança não paga).

 

Onde comer

Os maiores campings geralmente oferecem PF na alta temporada. A gente embarcou naquela de que recordar é viver e fomos direto ao camping do Luís, onde traçávamos PFs gigantes aos 18 anos. O tempo passou e os PFs diminuíram, certeza. Mas ainda vale a pena comer um peixinho frito com arroz, feijão e fritas (não, ninguém está aqui pra fazer dieta). Como se trata de uma Ilha, os preços são altos, na minha opinião – mas a cerveja e o refrigerante são gelados de um jeito que eu não sei se é magia ou tecnologia.

Alguns dos preços do Camping do Luís

O que fazer no Aventureiro (com criança)

João sempre se intitulou “menino-peixe”, Ana Elis se diz sereia. Então posso dizer que somos uma família praiana. Então, nossos dias se resumiam a acordar cedo (umas 7:30, quando a barraca ficava clara), fazer “café da manhã piquenique” com a canga estendida na areia de praia e passar o dia nos revezando entre a praia principal, a Praia do Demo, o píer e o mirante. Para 3 dias foi mais do que bom. Ana Elis fez amizade com um casal de irmão de 3 e 5 anos, com quem ela passava o dia pensando em aventuras e fazendo bolinhos de areia.

No mais, era acordar cedo, comer quando se tem fome, cochilar quando se tem sono, passar o dia brincando e dormir cedinho.

Pai peixe, filha sereia (ou bailarina, depende do momento)

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Tá nessa fase que só faz pose de bailarina. No Píer.

Família no (início da subida) do Mirante (reparem na ponta da bailarina)

O que levar (para as crianças)

Com quase 4 anos, Ana Elis fez a própria mala de brinquedos. Levamos os tradicionais de praia (baldinhos, pás e panelinhas), e também livros e os bichos que ela mais gosta na hora de dormir. Tinha também uma revistinha dessas de colorir para o caso de ter que esperar por alguma coisa, e só. A maior alegria eram os dias de sol com os amigos mesmo.

Companheiros de viagem =)

O que levar (de comida)

Vou falar sobre isso em um post dedicado apenas a como acampar com crianças. Esse aqui já está gigante e, se você chegou até aqui, já está com meio caminho andado para fazer a mala. Partiu?

 

Deixa ele fazer

Nesse dia das mães eu queria escrever um post que fosse explicativo desde o início, então é bem isso aí: “deixa ele fazer”. Um mantra, um lema, um estilo de vida, vai fazer desse domingo (e dos outros dias da semana) bem melhor. Um presente, um legado. Mais do que tudo, uma oportunidade.

Começo por você, mãe de um recém-nascido, ainda molinho, cercado de cuidados, o umbigo é aquele drama, chora no banho, colocar roupinha exige uma delicadeza que só. Ao seu redor, vovôs e vovós, tensos, que repetem: “deixa que eu faço”. Ou então: “é melhor a mãe fazer, tem mais cuidado”. E você, no auge da inexperiência, acha que é isso mesmo, aprende a fazer, toma a responsabilidade pra si. É pra você, mãe, ainda engatinhando nessa jornada que eu aconselho: deixa ele fazer.

A criança cresce, brinca na pracinha, tenta comer areia, se meleca toda. No banho, chora para entrar e depois chora porque não quer sair. Enfia feijão no nariz. Você, mãe amiga, se desdobra fazendo papinha balanceada, checando a temperatura, colocando pouco ou nenhum sal, acertando a textura. Dá a comida na boca da criança, que bate na mesa, vira a cara, chora até entornar o prato cheio no sofá/no chão/em você. É pra você que eu repito o mantra: deixa ele fazer.

Ana Elis e João compartilhando o amor pelo milho cozido.

Já andando, o filho quer pracinha, parquinho, piscina, escorrega, e lá vai a mãe correr atrás pra não entrar na frente do balanço, pra não escorregar sem freio e ralar as coxas no chão, não comer mais areia, não pegar no cocô do cachorro. Levar uma muda de roupa, trocar fralda na pracinha, acabou o lenço umedecido, vazou xixi, vamos embora. Deixa ele fazer, amiga. Só deixa.

Deixa o pai fazer. Mesmo que vista a fralda do avesso, mesmo que molhe o banheiro inteiro no banho, mesmo que grite a cada 5 segundos “onde está o pano de bocaaaaaa?”. Mesmo que dê menos comida, que mexa no celular e deixe a criança cair do balanço, mesmo que coloque a roupa descombinada, deixa. Deixa ele fazer do jeito dele, aprender que a comida estava quente demais no momento que a criança grita “aaaah” na primeira colherada, mesmo que ele diga que “acho que ele quer mamar” e queira devolver a criança pro seu colo. Deixa ele errar, acertar, mesmo que você ache que vai dar mais trabalho, que ele vai te ligar a cada 5 minutos, que você vai ter que refazer tudo no momento que voltar. Deixa ele ver o trabalho que é criar um ser humano, alimentar, educar, ninar, brincar. Nem que você tenha que dar uma de João sem braço “segura ele aqui que eu preciso fazer cocô?” (e aí você senta na privada e fica hoooras curtindo foto minha no instagram, tá?), “vou descer na padaria e já volto”, “ah, preciso ir no mercado, coisa rápida”, “marquei um café/lanche/chope com a minha mãe/irmã/amigos”. Toma que o filho é teu.

Deixa. Ele. Fazer. Mesmo que ele não queira. Mesmo que você ache que faz aquela tarefa melhor que ele. Mesmo que seu filho chore e diga “mamã” fazendo beicinho. Deixar o pai fazer coisas da rotina no filho não é maldade nem egoísmo: é uma forma de exercer a igualdade entre gêneros dentro de casa, um exercício de feminismo para quem escuta o tempo todo que “o filho precisa mesmo é da mãe”. Dê essa chance para o vínculo, a intimidade, mesmo que o caos reine. Deixar que seu parceiro seja pai, que conheça seu filho tão profundamente quanto você, é lindo. Isso pq, cedo ou tarde, você vai ver que não é uma supermulher capaz de tudo, e que seu marido/namorado/parceiro não é tão desajeitado assim. Deixa ele fazer.

Ana Elis e combinação escolhida pelo pai 🙂

P.S.: Lógico que tem pai que, mesmo com qualquer estratégia, não faz. Na crise, delega. Apela pra avó. Te sabota. Mas aí não sou eu quem estou dizendo: você já deve ter percebido a furada. Segue o plano.

As mães do instagram, parte 2

Fiz um post inteiro sobre como o instagram me inspira com suas mães cheias de casas brancas e crianças lindas, mas acabei não indicando nenhuma conta. Devo, não nego, pago quando puder. Agora. Então pega o celular que eu vou indicar a lista com as minhas mães (gringas) preferidas no momento.

[Fico devendo um post com as incríveis mães brazucas, com casas menos brancas e posts ainda mais inspiradores]

 

@mamawaters

Mãe de três, é autora do HomeSong Blog.
Textos longos, fotos claras, casa naquele estilo nórdico-minimalista-achei numa thrift shop. Tudo muito branco, poucos móveis, não sei como consegue manter tudo tão arrumado. No stories/snapchat ela ainda cozinha e escuta música folk (vale seguir também no Spotify).
Bohannah (acho que é esse o nome dela) vive na Austrália e administra um blog com o mesmo nome. É mãe de duas crianças, um menino de cerca de um ano e uma menininha de uns 3 com cabelos loiros quase brancos, sabe? É autora do blog https://thesimplefolk.com/ e posta mutas fotos de praia, biquini e fofuras.
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Claire é engraçadíssima e uma das mães mais lindas do meu instagram. Seus posts são engraçadíssimos ou inteligíveis graças ao inglês australiano/britânico. É mãe de 3 filhos menores de 5 anos. Suas fotos são menos perfeitas e mais caóticas, mais próximas (!) de uma vida real (ou pelo menos da minha!).
@hannahcarpenter
A ilustradora Hannah Carpenter é o que há de mais hipster na minha TL. Mentira, mais da metade do meu feed é hipster, ainda mais no instagram. Mas o fato é que Hannah, que tem uma conta só para seus desenhos, é mãe de 4 filhos, todos grandinhos, e todas as suas fotos parecem saídas de um filme de Wes Anderson.
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Outras mães para seguir:
@house_of_douglas
@our.daughters
@ourgrowingstorey
@kimdabobrown

A melhor fase, de novo

Antes mesmo de ser mãe, eu tinha uma fase preferida na infância: os 4 anos. É daí que vêm as minhas primeiras recordações, com o meu irmão gêmeo, na varanda e com o nascimento do meu irmão mais novo. Além disso, é o momento em que as crianças estão com a língua mais solta e a cabeça lá no alto, morando entre as nuvens. Sempre adorei conversar e brincar com pequenos dessa idade, acho o maior barato.

Ok, Ana Elis está com 3 anos, mas olha: que fase boa! Tem dias que ela não está muito pra papo e não quer dar explicação mas, em outros dias, está super tagarela! Conta da escola, dos amigos e, o que eu acho mais bacana, lembra de coisas que fizemos juntas há 1 semana, 1 mês ou 1 ano. Para ela, a noção de tempo é quase um espiral. O que vivemos há muito tempo pode estar ali, vívido, diante dela – assim como o que aconteceu há 5 minutos pode não representar nada em seus relatos.

Pequenininha, mas sempre com algo a dizer

Algumas pérolas da Ana Elis:

Na rua

– Olha, mamãe, cocô de cachorro!
– Nossa, é mesmo, filha. Eca.
– A Luna faz cocô e xixi na caixa cheia de terra.
– É mesmo, filha, mas cachorro não faz isso, só gatinho. Cachorro faz cocô na rua mesmo, mas aí tem que limpar, né?
(Silêncio)
– Mas mããããe, ele NÃO TEM MÃO!

No dia do aniversário de 3 anos:

[Na noite anterior, com ela já dormindo, enchi a sala de bolas e coloquei o presente dela, cercado de brinquedos, em cima do sofá.]
Ela acordou, viu a sala, ficou feliz da vida. Cantamos parabéns todos juntos. Ela sentou no sofá e foi abrir o presente, emocionada:
– O Papai Noel deixou um presente aqui pra mim!!
OI?!?!
– Papai Noel nada, filha, foi a mamãe, ontem de noite.
Ela me ignora e fala baixinho:
– O Papai Noel passou aqui…deixou meu presente…! (suspiro)
Surdez seletiva aos 3 anos. Imagina a adolescência dessa menina, tô ferrada.

Ao sair de casa:

– Nossa, mamãe, você está muito cheirosa!
– Obrigada, filha, você também é muito cheirosa.
– Não, mamãe, eu sou LINDA.

Bingo da discussão sobre racismo:

a) “Mas eu tenho um amigo negro”
b) “Ah, agora tudo é racismo?!”
c) “Mas a escravidão já foi há muito tempo!”
d) “É que muitos negros são racistas”
e) “As pessoas estão muito sensíveis”
f) “Agora estou proibida de usar turbante?!”

Quem ouvir 3 dessas frases em uma discussão sobre racismo grita BINGOOOO!

Os porquês do armário cápsula

Quem me segue lá no instagram (@soshopaholic) deve ter notado (espero!) que montei e estou seguindo um armário cápsula, postando diariamente os meus looks para trabalhar. Mas aí vem a pergunta: que raios de armário é esse? Por que a Fernanda inventou de fazer isso? Como faço pra fazer igual?

 
Não temam, amiguinhos! Estou aqui para esclarecer essas – e outras – dúvidas. Vem comigo!
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O que é um armário cápsula?
De forma bem simplificada, é uma seleção peças (o número varia geralmente entre 30 e 40, mas você pode dosar do seu jeito) para ser combinada entre si em looks diários. Não entram nessa conta: roupa de ginástica, íntima, roupas de festa e pijamas. A ideia é que, nesse ambiente com menos opções, a gente exercite nossa criatividade ao combinar as peças. Na ideia original, as roupas devem ser usadas por 3 meses, ou seja, uma estação. Mas acredito que tudo pode ser customizado de acordo com as vontades e estilo de vida de cada um.
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Como é o seu armário cápsula?
São 34 peças, incluindo sapatos, para looks de segunda a sexta. Na minha conta, além das exclusões do modelo de armário cápsula tradicional, também tirei os fins de semana. Como é a minha primeira vez, decidi usar as peças por pouco mais de um mês, até o carnaval (final de fevereiro).
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Como você escolheu essas peças?
É aí que começa o desafio, principalmente se considerarmos que sou uma pessoa de estampas e cores. Quase não tenho peças básicas, por isso as combinações ficam mais difíceis. Escolhi 8 partes de baixo (calças e saias) que combinassem com pelo menos 3 partes de cima. Rascunhei essas escolhas em um papel (tem quem prefira fotografar peça por peça) para não me perder.
Não me ligo muito em roupa, devo fazer um armário cápsula?
Talvez você já use um sem perceber, na medida em que alterna sempre as mesmas roupas, sabe? O AC, pra mim, é uma forma de exercitar a criatividade e reduzir o consumismo – mas eu me ligo muito em moda, então tudo fica mais divertido, sabe?
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O que esse projeto tem a ver com consumismo?
Na minha opinião, não vale fazer AC se não for para gerar uma reflexão. Em pouco tempo você chega à conclusão que dá pra ser feliz com menos, bem menos. E, no meu caso, ainda percebo que há peças que preciso muito, mas dificilmente compro (blusas básicas, por exemplo). Essa pode ser uma oportunidade e tanto de se conhecer por meio do próprio guarda roupa.
Você estipula metas? Dá para agregar outras ideias ao armário cápsula?
Sim! Eu decidi que ficaria até abril (3 meses) sem comprar roupas. Além disso, separei 4 sacos grandes para doação, vendi algumas roupas na minha lojinha do enjoei e abri espaço no meu armário. O AC está sendo uma chance de rever meu estilo!
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Ai, gostei, como começo?
Uma ideia legal para começar é um 10×10, uma espécie de mini armário: são 10 peças, por 10 dias, em um total de 10 looks. Considere seu estilo de vida, dress code do local de trabalho, possíveis mudanças climáticas do período e opções para o fim de semana. Nessa conta, entram sapatos e bolsas, tá?
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Onde buscar inspirações de looks?
A Gabi, do Teoria Criativa, foi a precursora do AC por aqui, vale dar uma olhada nos arquivos do blog dela (que não tem mais esse foco). No mais, amo os looks da Ana, do Hoje Vou Assim Off, que tem um estilo mais parecido com o meu. É dela uma série de posts sobre combinações de cores que pode ser uma mão na roda na hora de separar a roupa pro dia seguinte.
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Dá para usar a ideia do Armário Cápsula em outras áreas da vida?
Sim! A Marie Kondo, por exemplo, defende que os livros que não serão relidos devem ser doados, por exemplo. Tem um post muito bom da Mama Watters sobre doar metade dos brinquedos dos filhos (e depois esconder metade do que sobrou!) e ter apenas uma pequena coleção à disposição. Outro dia eu fiz uma limpa no meu Facebook e deixei só uma coleção cápsula de amigos, haha. Realmente o conceito de se ter apenas o que precisa (olha que revolucionário) pode ser aplicado em toda a nossa vida.

Maternagem real e de instagram

Existe esse movimento incrível de se falar de maternidade real, da casa zoada de brinquedos, da criança que passou dois dias sem tomar banho e do cansaço que nos abate no fim do dia. Todo esse esforço faz a gente se sentir mais humana. Mas e se, assim como na moda, a gente precisasse também de um campo aspiracional, algo que ficasse entre a imagem encantada de maternagem que tínhamos e a desconstruída? Algo que pudesse nos inspirar e, ao mesmo tempo, ser real (nem que seja para uma outra pessoa)? É nesse buraco que entram os instagrams de mães gringas.


Frio aumenta o glamour, anota aí

Para mim, esses perfis funcionam de maneira muito parecida com os blogs de moda. Na época em que eles surgiram, mostravam meninas como eu (que não eram modelos) usando looks bacanas. A fórmula era simples: gente como a gente usando coisas que jamais usaríamos. A pegadinha era justamente essa, as blogueiras eram muito parecidas conosco, exceto pelo fato de ganharem muito mais dinheiro e presentes que nós. Então a gente ia até a Renner tentar montar um look parecido com um zero a menos.

É desse jeito que funcionam os perfis de mães no insta. Eu vejo alguém parecido comigo (uma mãe), mas que, ao menos nas fotos, parece ter tudo o que eu não tenho sob controle: uma casa muito branca, roupas minimalistas e comidas feitas em casa (geralmente pão, não sei por que esse povo tá sempre fazendo pão). Elas têm sempre flores frescas sobre a pia, vegetais frescos nas refeições e admiram as pequenas coisas da vida.

Eu olho, curto, babo pela fofura das crianças mas sei que, de verdade, minhas fotos nunca serão tão claras e eu provavelmente jamais vou acertar fazer um pão caseiro. Mesmo assim, esses perfis me inspiram. São mulheres que tem uma média de 15 filhos – sim, porque ter 3, 4 ou 15 é a mesma coisa pra mim – que provavelmente não trabalham ou têm trabalhos flexíveis ou vivem do blog e que têm aquelas casas muito brancas com peças vintage.

Uma placa proibindo a entrada de hippies vinda dos anos 60. Um suporte para vassouras encontrado em um mercado de pulgas. Uma tina de bronze herdada da avó. Panelas de ágata e mason jars. Uma bandeirinha de tecido dizendo “It’s OK”. Minha casa é cheia de tupperwares sem tampa e fotos em molduras baratinhas. Abafa.

 

Eu gosto de acompanhar a vida desse povo porque, assim como uma saia mídi que vejo na vitrine, acho que ela me cairia bem. Eu poderia ter uma casa simples com quintal e uma cozinha grande com mesa de tampo de madeira. Eu poderia assar meus próprios pães. Eu poderia encontrar algo que preste em um brechó. Poderia. Talvez. Um dia. Quando eu vejo aquelas fotos tão iluminadas, enxergo beleza nas pequenas coisas. Me inspiro a fazer algo semelhante com a Ana Elis. Vejo que a maternidade me tirou algumas coisas e pôs outras no lugar. Outras coisas que podem ser interessantes também.

Com suas casas espaçosas e iluminadas, muitos filhos e looks minimalistas, essas mães me mostram um estilo de vida que, ao menos, parece possível. Ter uma horta. Tomar chá. Bordar. Fazer um piquenique ao pôr do sol. Ter menos móveis. Usar mais roupas que combinam entre si. São coisas que eu posso fazer. Ou poderia. Talvez. Um dia.

 

P.S.: Sim, ainda vou indicar o perfil de várias dessas mães gringas do instagram! Me aguardem.

Ponto de referência

Desde a adolescência eu queria ser uma pessoa tatuada. Veja bem, não era “fazer uma tatuagem”, mas “ali, do lado da menina tatuada”. Na época, meu pai, muito acertadamente, não deixou. Dizia que poderia atrapalhar uma entrevista de emprego, por exemplo. Isso foi bom, me fez pensar no desenho por cinco anos antes de fazer a primeira, aos 23: uma mandala desenhada pelo meu irmão gêmeo, o Lucas, no alto das costas.

Passaram alguns anos até que eu fizesse a segunda, um coração na costela. Foi quando eu e João fomos morar juntos. Depois vieram um coração em cima do cotovelo esquerdo e um ramo de flores acima do direito, já no fim do ano passado. No mesmo dia, fiz também um dente de leão na lateral do pulso esquerdo.

Apesar de tantos desenhos no corpo, eu não me considerava uma pessoa “tatuada” TATUAAADA, até pq mal os vejo no dia a dia.

Então esse fim de semana fiz um novo ramo de flores, dessa vez no antebraço. E planejo outras tatuagens, também grandes, também em lugares visíveis.

Na madrugada passada acordei num surto: estaria eu me tornando a pessoa que sempre sonhei? Seria eu essa pessoa? Será que estou só me disfarçando dessa pessoa?

Olha que loucura: aos 31 anos eu posso ser quem eu quiser.

O Segredo do Armário Cápsula

Para todo mundo que pensa em começar um #armariocapsula e não sabe como, eu tenho uma dica: separe as suas peças preferidas. Sabe aquelas que, não importa o destino, o corpo ou o estado de espírito, são garantias de conforto e alegria? Aquelas que você não lembra bem se foram caras ou baratas, mas que certamente já se pagaram de tanto que você usa? Que você cata no cesto de roupa suja desesperada? Sem perceber, essas roupas tão queridas já formam um armário cápsula do coração. São usadas sem esforço e sem muita regra. Tá aí a minha blusa de cactos que não me deixa mentir! Amo que me faz me sentir moderna – é meio quadrada, meio cropped – sem me engordar (cobre a barriga perfeitamente) e casa com colarzão ou colarzinho. Um resumo? É vida, é mara. Se tivesse meia dúzia de blusas tão boas, não precisaria de outras 30 mais ou menos – e eis o milagre da fé, digo, do #capsulewardrobe em si.

Gatinha, todo mundo tem um ponto fraco

Toda mãe tem um ponto fraco. Uma coisa que, se o filho fizer, ferrou: o tempo fecha. É choro e ranger de dentes para os dois lados. O meu é a comida. Ana Elis é boa de garfo, vejam bem. Adora tomate, abóbora, pepino e brócolis, mas não deixa de ser uma criança. E cara, quanto maior o meu esforço para fazer algo diferente, rico em nutrientes, orgânico, vegano, no vapor, etc, etc, MENOS ela come. Putz. Se eu levar a minha filha no PF acho ela come mais do que qualquer coisa que eu faça em casa. O negócio da pequena é arroz, feijão, farofa, hahhahaha. E quanto menos ela come o que eu demorei horas para fazer (cadê Jamie Oliver para dizer que dá pra fazer uma refeição riquíssima em 30 minutos? Chama esse gringo que eu vou dar na cara dele), mais estressada eu fico. Me dá vontade de chorar, dar meia dúzia de gritos, até já expulsei da mesa. Se cuspir então, perco até o apetite. Me dá vontade de bater. 😖😖😖

Mas gente, respira. É uma criança. Será que a filha da Bela Gil come tudo aquilo que ela faz? Até o churrasco de melancia? Tem certas coisas que não dá pra exigir de uma criança, e nessas horas eu preciso ter calma. Sorte ter o João do lado.
Sabem qual é a grande questão? É que um filho revela muita coisa sobre a gente. Eu descobri que, nessas horas, o que acontece é que eu me sinto burra. Me sinto incapaz de agradar. Então na verdade o problema não é dela, mas meu. E olha, isso tem a ver com um monte de coisas, inclusive meu medo de não ser amada. Eu que preciso lidar com a minha própria frustração e saber que, na refeição seguinte, ela pode curtir. Mãe que é mãe não desiste fácil, gente! 👊🏾👊🏾👊🏾
😉
Qual é o ponto fraco na maternagem de vocês?
#anaelis3