24/04/2014Saintropeito * e os melhores sutiãs de amamentação


Outro dia Valesca Popozuda estava no programa da Ana Maria Braga (não me perguntem onde eu estava com a cabeça pra ver um programa desses) falando sobre, entre outras coisas, as intervenções cirúrgicas que fez no corpo. Na hora de falar sobre o silicone nos seios, ela começou a frase dizendo que depois que tive neném, meu peito caiu, ao que foi prontamente interrompida pela apresentadora: mas amamentar não faz o peito cair!, falando com uma propriedade que só Ana Maria Braga parece ter. Vanessa não se fez de rogada e replicou: aaaaah, o meu caiu!  e a discussão terminou por aí.

Eu não posso dizer (ainda) se a amamentação muda o peito da gente, mas uma coisa é certa: os meus vão de Pamela Anderson à Dercy Gonçalves em um dia. Ou em poucas horas. Explico: quando meu leite desceu (aproximadamente 2 dias depois do parto), eu achei o máximo. Mesmo duros e doloridos, eu achei maravilhoso aquele peitão, vixe que coisa linda. Na época em que comemorava, minha amiga Ana, mãe de um bebê de 4 meses (que você conheceu nesse post aqui), avisou que durava pouco. Dito e feito: logo que o bebê passa a mamar todo o conteúdo do seio, você vê a mágica acontecer – e nem toda mágica é boa. Logo depois de amamentar meu peito fica muuurcho, lá em baixo mesmo, ladies and gentlemen.

Some a isso sutiãs de amamentação sem armação (comprei um com aro que na hora do vamos ver é uó) e, por isso, praticamente não sustentam um busto maior e mais pesado (estou vestindo 46) e pronto, parece que não tem blusa que vista bem. E eu alterno esses sutiãs com tops e camisetes que, na minha opinião, são mais práticos – como são elásticos, você só precisa esticar e colocar o peito pra fora – então já me conformei e decidi que, quando sair com a Ana Elis, praticidade vale mais do que sustentação. Vou fazendo embaixadinha com os peitos e beleza.

LIZ61500_2 Esse modelo de sutiã é ótimo, dá para abrir rapidinho e, logo que o bebê termina de mamar, você dá uma puxada. Assim, mesmo sem estar fechado no botão, seu peito não fica exposto pro povão. (Já vi da marca Liz, mas é bem mais caro. Comprei da MyLady e achei ótimo, pena que escolhi o número errado)

 

MYL3642_2 Esse é o meu preferido, também da MyLady. Peito in e peito out na velocidade da luz, sem contar que é confortável e barato.

Essas fotos de look eu fiz em um encontro na casa dos pais do João. Blusa gola V que facilita as manobras. Estou aproveitando qualquer situação para me arrumar, sair, e se o tempo estiver fresco, melhor ainda. Nesse dia deu para usar saia longa sem ficar com as coxas suadas (imagem terrível, apaga!) e manter a dignidade. Ah, eu adoro o outono!

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*Peito “cintura baixa”, logo abaixo do umbigo



17/04/2014Cala a boca já morreu (?)


Eu nem sonhava em engravidar quando ouvi da Fêzinha a seguinte frase: “depois que você se torna mãe, aprende a não julgar”. Na hora eu logicamente pensei que não era pessoa de julgar. Imagina, eu? Mas lógico que era, e acho que sempre julguei um pouco a mãe que não amamenta, ou que deixa o filho chorando no berço, ou que dá chupeta. Eu sempre tive essa posição contra chupeta. Nada muito radical, mas sempre li que deixava os dentes tortos e, intimamente, sempre vi como um “cala a boca” para a criança. Tá enchendo o saco? Mete a chupeta.

Justamente por ter essa ideia, me surpreendi quando o pediatra sugeriu o uso da dita cuja. Como assim, e os dentes? Procurei uma segunda opinião. Chupeta liberada. Perguntei pra minha amiga médica, que repetiu o discurso dos dois: “alguns bebês tem uma necessidade maior de sucção”. O mundo devia estar muito louco mesmo.

Pois daí que, logo no primeiro mês de vida da Ana Elis, a frase da Fê ressoou na minha mente. Quando você está cansada, dormindo pouco e seu bebê chora sem parar a tarde inteira, fica muito mais suscetível a aceitar qualquer receita milagrosa. Você passa a entender qualquer coisa feita por uma mãe em um momento de desespero. Segurar o bebê de barriga para baixo? Suspender a criança como o Super Homem? Dar a chupeta? Tudo passa a ser visto com bons olhos se aliviar um pouco o cansaço e o choro agudo e sem fim.

Comprei a chupeta. Mantive na bolsa por quase uma semana. Só comentei com o marido depois. Lavei, esterilizei e guardei. Eis que numa tarde recente, Elis com mais de dois meses, horário do pico da irritabilidade: 17h. Coloquei a chupeta. Devia ter filmado! Ela arregalou os olhos, chupou, colocou a língua pra fora, cuspiu. Eu segurei. Tentei de novo, dessa vez com a mão na frente, pra que ela não cuspisse. Os olhinhos vermelhos de quem chorava há meia hora e a boca tapada com o plástico verde, o rostinho virado pra mim… Chupou, colocou a língua e cuspiu a chupeta na minha mão. Mas não voltou a chorar – ficou ali, olhando pra mim com os olhos suplicantes do gato do Shrek. Fiquei com pena, culpa, tudo junto. É essa a tal culpa de mãe que todo mundo comenta? Deixei a chupeta de lado, cantei uma musiquinha e a menina dormiu.

 

~Não posso dizer, hoje, que sou contra a chupeta. Já tentei de novo e Ana Elis aproveitou por uns 10 segundos antes de cuspir de novo. Mas não sei se vou insistir. Sempre parece que estou calando a boca dela, literalmente. É quase como o porquinho com a maçã na boca, como a gente vê em desenho animado. De qualquer forma, a danada está limpinha e guardada para uma futura emergência ~

 

E aí, quem tem histórias de chupeta para contar?


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade

14/04/2014Não solicitados, mas sempre compartilhados


Imagina um dia normal: você toma banho, penteia o cabelo, troca de roupa e sai. De repente, todas as pessoas estão olhando para você. Mais do que olhando, estão comentando. Mais que comentando, estão te aconselhando.

Ih, querida, esse cabelo não ficou legal, já pensou em tingir?

Olha que essa maquiagem te envelhece! Tenta outro corretivo da próxima vez.

Já comprei um sapato assim como o seu, achei péééssimo. Se eu fosse você, nunca mais voltava nessa loja.

Você gosta de usar calça jeans, é? Eu só uso saia.. Acho mais bacana.

Saiu de casa comendo um salgadinho? Isso faz um maaaaal…!

Perfeitos desconhecidos falando sobre a sua roupa, seu cabelo, até sobre o que você está comendo…? Estariam todos loucos? Aparentemente não. É que agora você tem um filho.

 

Dia desses saí para passear com a Ana Elis de manhã cedinho, fomos à feira livre que tem aqui perto de casa. Ia tudo correndo muito bem quando a bebê abriu o berreiro. De fralda limpa, noite bem dormida, barriguinha cheia de leite… mas chorando. E quando Elis chora, sai de baixo: a menina fica vermelha, parece que vai explodir. Andei com o carrinho um pouco mais rápido, mirando os buracos (quanto mais o carrinho sacode, mais ela gosta) evitei parar nas barracas, comecei a suar. Ao meu redor, pipocavam olhares e muitos, muitos comentários:

Esse chorinho é de fome, mamãe. (sim, as pessoas passam a te chamar de mamãe)

Tadinha, está com sono…

Mas esse carrinho é muito quente!!

É muito sol para um bebezinho tão pequeno.

Ai, se fosse eu pegava no colo.

Quem é mãe dá a dica por já ter passado por isso. Quem não é, porque não pode ficar calado diante do sofrimento daquele ser tão pequeno. Nas redes sociais, outro dia, fui postar uma foto de duas garrafas de chá gelado e pronto: muito açúcar. Muita cafeína. Vai dar cólicas no seu bebê. Por isso que ela é assim (assim como? alguém mora aqui com a gente e se esconde no armário? ou são câmeras escondidas?). O fato é que todo mundo tem alguma coisa a dizer. Eu não sei exatamente o porquê e é provável que eu já tenha feito isso com alguém, mas o fato é que isso é muito chato, gente. Morre um bebê foca a cada vez que proferimos um comentário ou conselho não solicitado – mas eu, como boa babaca que sou, não mando ninguém cuidar da sua própria vida. Deveria. Deveria?


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade

31/03/2014Melancolia ou coisas que não se fala sobre maternidade (e alguns blogs bem família)


Quando se fala sobre maternidade, o tom geralmente é de alegria, claro. Mais do que alegria, um estado de encantamento, de transformação – aquela coisa de “meu filho mudou minha vida” que as celebridades adoram falar. De fato, o sentimento existe, te inunda, é mágico mesmo. Mas o que não se fala – não tanto, na minha opinião – é dos momentos não tão lindos. Eles existem e são chamados de “baby blues” ou melancolia. Eu passei por um período assim e achei importante contar aqui.

Comigo começou a acontecer lá pra segunda semana depois da Ana Elis nascer. Acho que começa no momento em que cai a ficha e você percebe que sua vida mudou mesmo, que nunca mais vai ser a mesma. Some a isso noites mal dormidas, todas as atividades interrompidas por choros de bebê (todas mesmo, inclusive ir ao banheiro, comer e trocar de roupa), a dormência na área dos pontos da cesárea (e, para piorar a minha situação, estrias que surgiram na última semana de gravidez), seios vazando leite (inclusive à noite, na cama), ficar de pijama o dia inteiro e o fato de não se poder sair de casa e pronto: dá vontade de sair para comprar cigarro e não voltar mais.

O sentimento me arrebatava sempre no fim da tarde, diante da perspectiva de mais uma noite acordando a cada 2h. O entardecer também coincide com um período especialmente crítico para a Ana Elis, em que ela fica irritada, chora muito, se debate, fica vermelha. Quando isso acontece, você dá o peito, troca a fralda, dá banho, voltinhas no colo e nada, todo mundo é taxativo: o bebê tem cólica ou gases. E você tem uma onda de tristeza porque não pode fazer muita coisa para mudar isso. Depois de muito tentar, você passa o bebê pro marido, que fica mais um tempo e passa de volta para você, como numa brincadeira de batata quente que parece não ter fim, e você se pergunta onde é que eu fui me meter?! 

Para completar, todas as minhas mídias sociais só apresentavam um estilo de vida que, aos meus olhos, eu nunca mais poderia ter, e suscitavam os piores pensamentos na minha cabeça, sério. Gente viajando o mundo - Eu nunca vou conhecer a Europa. As editoras de moda das principais revistas no meu instagram – Eu nunca poderei ir a uma Fashion Week. As pessoas comentando um determinado indicado ao Oscar - Eu nunca vou conseguir ver esse filme. As pessoas postando selfie na volta da academia - Eu nunca vou voltar ao meu corpo de antes. Moças comuns e seus looks incríveis – Eu só vou poder usar roupas com botões na frente. Depois de alguns dias vivendo assim, você vai perdendo o ânimo, e a simples expectativa de receber uma visita em casa te apavora.

Mas calma, ninguém cortou os pulsos por aqui. Na verdade, esse período de melancolia pós parto é bem normal, causado pela queda de hormônios produzidos durante a gravidez. Outros fatores psicológicos também influenciam: de repente você não é mais o centro das atenções, sua rotina muda, etc. Então, com o tempo, a barra mais pesada passou, e 3 coisas me ajudaram bastante nesse processo. Foram elas:

- Não basta ser pai, tem que participar: o João é um paizão e tem uma paciência de Jó. Tirou férias do trabalho e está em casa com a gente o tempo todo. Troca fraldas, coloca para arrotar, faz vozes para a Ana Elis (na nossa interpretação ela é um bebê casca grossa como o Baby Herman de Uma Cilada para Roger Rabbit), carrega para lá e pra cá quando ela tem cólica, coloca para dormir, limpa golfada. E, além disso, olha para mim e realmente percebe o que eu estou passando. Mesmo cansado, se oferece para uma massagem, vai pegar um copo d’água, coloca mais um travesseiro nas minhas costas. Me beija e seca as minhas lágrimas.

- Vaidade não é pecado: faz toda a diferença ter um momento para si. Eu percebi que preciso muito da minha vaidade, mesmo que ela me custe algumas horas de sono. Meu luxo hoje é tomar banho: coloco uma água morna e fico lá, respiro fundo, lavo o cabelo, coloco uma ampola de hidratação, no final ainda passo óleo no corpo (tentando dar um jeito nessas estrias malditas), creme, penteio o cabelo. Faço isso quando Ana Elis está dormindo ou já mamou e está com o pai. Dia desses até me maquiei, no outro fiz as unhas, no outro fiz uma massagem aqui perto de casa. Descobri que preciso me sentir bonita para estar feliz – e que quando estou feliz me sinto mais bonita.

- Siga quem se parece com você: ver pessoas sem filhos estava me deprimindo, confesso. Nas horas que estou mais cansada, prefiro arejar a cabeça com blogs mais família, que parecem comercial de margarina, sabe como? Penso que se eles conseguem, eu também consigo. Assim, indico 3 blogs de moças incríveis que conseguem driblar a dupla jornada:

bleubird

Bleubird é mais que um blog, é um estilo de vida. É hype, muita gente conhece e já existe há alguns anos. A autora, Miss James, é mãe de 4 filhos e fez do blog sua profissão. Nele, rolam parcerias com marcas grandes, como a J.Crew, e pequenas lojas do Etsy, por exemplo. O marido dela, Aubrey, é fotógrafo, e toda semana tem post com imagens lindas das crianças. Mais do que cor-de-rosa, é uma vida vintage, hipster, sépia. Quero ser essa moça quando crescer.

 

Mama Watters

Amanda é mãe dessa menina fofa, de uns 4 anos, de um bebê de poucos meses e autora do blog Mama Watters. O estilo é bem parecido com o do Bleubird, uma coisa meio “cool mama”, mas menos profissa. As imagens são inspiradoras e os textos também – o primeiro que li era justamente sobre como ela estava estafada com os cuidados com a casa e as crianças, e como ocupava seu (pouco) tempo livre. Tem posts sobre as crianças e também com receitas, músicas e pequenos projetos DIY.

Jen

O Jen Loves Kev também é um blog das antigas, nasceu em 2006 e sempre foi um blog família. No começo era sobre o casamento da Jen com o Kev, mas depois naturalmente se tornou um blog sobre a vida dela, dos filhos, das viagens. O que eu acho bacana é que a Jen é uma dona de casa comum com um toque de Sazon, sabe? Ela tem uma gordurinha aqui e ali, mas adora moda e posta seus looks do dia. Não é nenhuma fotógrafa mas registra momentos lindos das filhas, uma menina de 4 e outra de um aninho. E, entre uma coisa e outra, recheia o blog com posts “gente como a gente”, como o último, sobre viajar sozinha com duas crianças (isso pra mim é esporte radical).

Então é isso, gente, espero que esse post não tenha sido muito tapa na cara! E queria saber se vocês indicam outros blogs (de preferência nacionais) com famílias bacanas!

P.S.: Um blog bacana que encontrei nas minhas andanças virtuais, fica a dica!


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade

28/03/2014Um mês em seis imagens


Os primeiros dias com um recém nascido são caóticos. Por mais informação que se tenha, como pais de primeira viagem a gente sempre se pergunta se determinado fato é normalÉ normal golfar assim? É normal chorar tanto? É normal só acordar na hora que a gente quer comer? E sim, a gente sempre pensa que o bebê pode morrer – engasgar, cair, parar de respirar, CREDO. A boa notícia é que sim, nossa menininha está dentro do normal – mas cada coisinha que ela faz é tão especial para gente que sempre chama a nossa atenção. Esse foi o primeiro mês de vida da minha filha em 6 fotos:

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A Amamentação

Era do que eu mais tinha medo, graças às histórias da minha mãe e minha tia, que colocaram o terror. Realmente nos primeiros dias foi mais difícil, o bebê tem uma força que você não espera vinda de uma criatura tão pequenininha. Mas nada como a informação, não é mesmo? Eu já tinha assistido a uma palestra no Instituto Aurora (recomendo bastante, são quinzenais e gratuitas) e estava atenta à pega do seio: o bebê deve fazer “boca de peixinho” (lábios quase dobradinhos pra fora), abocanhar não só o bico, como a auréola e não pode fazer barulho ao mamar. Se estiver errado, aí dói mesmo, você logo percebe. Fiquei feliz por conseguir amamentar nas horas seguintes ao parto e, dois dias depois, já em casa, não sentir mais dor alguma.

2.

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O sorrisinho

Dá logo pra notar quando o bebê termina de mamar. Ele relaxa, fecha os olhos, solta o mamilo e, no caso da Ana Elis, solta um risinho de felicidade. É muito breve e provavelmente um reflexo, mas não deixa de ser lindo. Eu não consigo ver e não sorrir junto, mesmo que de madrugada.

3.

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Visitas

De repente todas as pessoas do mundo parecem querer vir na minha casa. E muita gente não entende que é complicado receber a qualquer hora. Você pega no sono e ding-dong, toca a campainha. Isso sem contar com uma galera que não falava comigo há séculos e do nada quer aparecer aqui. E eu sou aquele tipo de pessoa tapada que não sabe dizer não (alô, terapia!), salvo raríssimas exceções.

Há mais de um ano eu comprei essa Instax Mini, uma Polaroid que tira fotos do tamanho de um cartão de crédito. Achei fofo, mas nunca tinha usado. Com a chegada da Ana Elis, achei que seria uma chance legal de usa-la. Assim, resolvemos fotografar as visitas e fazer um álbum (ou um mural, ainda não estou certa) desse primeiro ano de vida. Acho que vai ficar bem bacana.

4.

chá

Fome, fome, fome

Já tinham me dito que amamentar dava uma fome que só, e não era mentira. Eu, que sempre tive draga como segundo nome, atualmente estou sempre faminta. João diz: já está com fome pra gente jantar? E eu sempre estou, mesmo que tenha lanchado. No cardápio, poucas restrições. Só estou tentando diminuir a quantidade de leite de vaca, feijão e chocolate. Tentando, vejam bem. Tentando significa “não estou comendo todos os dias”, e olhe lá. Estava preocupada com o peso, mas fui no obstetra essa semana e oba! só estou 2kg acima do meu peso de antes de engravidar (não que eu estivesse exatamente magra antes, mas vá lá…). Em menos de dois meses perdi 10kg, e pretendo voltar a fazer atividade física mês que vem (tá tudo incrivelmente mole por aqui).

5.

pós banho

Bainho é bom, bainho é muito bom

Esse negócio de banho na banheirinha não parece agradar muito a Ana Elis. É encostar o pezinho na água para começar a chorar, gritar, espernear. E olha que no Rio o calor é de 40º com sensação térmica de inferno na Terra. Já tentei usar tina, balde e até a pia do banheiro, e o resultado é sempre o mesmo. A única forma de banho que a bebê parece gostar é debaixo do chuveiro, no colo do pai, com água respingando no rosto. No box ela faz a cara mais fofinha que você já viu na vida. Aí o choro vem mesmo quando o banho termina e eu preciso embrulhá-la na toalha – mas dura pouco e logo ela volta pra essa carinha da foto.

6.

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A festinha

Eu brinco dizendo que Ana Elis é um bebezinho falso e dissimulado. Isso porque ela apaga toda vez que tem visita. A gente fala alto, a tevê pode estar ligada, não adianta: ela praticamente não abre o olho. Aí o povo fica dizendo que eita neném calminho, Fernanda exagera e não sei mais o quê. Tudo cena: basta a visita passar pela porta para que minha filha abra o berreiro (agora vocês entendem por que eu não gosto desse negócio de gente batendo à porta). No “mês-versário” de Aninha não foi diferente, olha aí na foto. Bebê apagadinho, a cabeça pendendo no colo. O choro só começou depois das dez, quando todo mundo já tinha ido embora.



24/03/2014Profissão: Mãe


Se você confere blogs de moda há tanto tempo quanto eu, é possível que você já tenha entrado no blog da Carol. Lááá em 2008, o blog Senhorita Carolina tinha tudo o que eu queria ver: looks de uma menina comum, magrinha e cheia de estilo (ela trabalhava com moda). Era uma proposta bem despretensiosa, as fotos eram feitas no quarto dela, e acho que justamente por isso fez tanto sucesso. O tempo passou, o blog acabou, mas eu continuei seguindo a Carol por aí – e acompanhando as mudanças na sua vida. Carolina Carvalhal casou e tem uma filha, Helena, que fez com que ela repensasse uma série de coisas em sua vida: decidiu ser mãe em tempo integral.
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Fotos da época do blog Senhorita Carolina
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Eu cresci com a minha mãe em casa, e lembro que não me agradava a ideia de que ela pudesse voltar a trabalhar. Mesmo passada a infância, eu adorava voltar para casa e encontrar com ela, adorava saber que ela estaria sempre ali para cuidar de mim. Isso para mim sempre foi muito natural, mas sei que, com o tempo, isso mudou. Como é ser dona de casa hoje? O que faz alguém largar um emprego bem sucedido para cuidar dos filhos? Quais são as dores e as delícias dessa opção? Procurei a Carol para fazer essas e outras perguntas – uma vez que estar em casa e cuidar da Ana Elis se tornou uma realidade para mim.
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Carol, eu (e várias outras pessoas) te conheci na época que você tinha um blog. Nele, você postava seus looks diários para ir ao trabalho. (Nem lembro que ano era isso… 2008? 2009?) Quanto tempo durou o blog? O que te fez fechá-lo?
Cansei do blog na verdade, cansei de ter a obrigação de escrever sempre… e algumas pessoas me cobravam por isso… daí também casei, mudei, minha vida se transformou… e o blog não coube mais na minha nova dinâmica, no meu novo dia-a-dia. 
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Você trabalhava com moda, certo? Hoje, é mãe em tempo integral, sua vida mudou, suas prioridades… mas você continua gostando de moda? Como ela está no seu dia a dia hoje? 
Trabalhava com moda, sim. Era coordenadora de estilo de uma empresa fabricante de tecidos e estampas. Com a maternidade, fiquei um bom tempo distanciada deste universo, mas nunca deixei de me interessar por moda… Hoje em dia ainda leio uns blogs e vejo uns desfiles, quando tenho tempo e vontade. Confesso que minhas prioridades mudaram tanto que o mundo da moda se tornou muito distante pra mim. Antes tinha uma relação mais consumista com a moda, hoje em dia acho que me tornei mais expectadora, mais observadora. Não sinto que preciso comprar ou estar usando peças atuais. Gosto de acompanhar porque acho bonito, interessante, uma forma de expressão. Mas não tenho mais aquela “obsessão” em ter e me vestir de acordo com as tendências todos os dias. Quando trabalhava como corrdenadora de estilo era natural que eu quisesse estar super arrumada e usando looks atuais diariamente. E era cobrada por isso também.
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Dizem que depois de ser mãe seu estilo muda. O seu mudou?
Mudou muito! Não abro mão de peças muito confortáveis e práticas agora. E quanto aos sapatos, só compro e uso aqueles que calço sem precisar colocar as mãos, hahaha. Nada de cadarços e fivelas! Estou sempre correndo, segurando mil sacolas, bebê no colo… Preciso de roupas que acompanhem esse meu ritmo, que não me deixem preocupada em estar “pagando calcinha” no parquinho, :) Leggings, sapatilhas, vestidos de malha e batas são meu uniforme do dia-a-dia. Vestidos uso muito também! Mas desde que não sejam muito curtos ou esvoaçantes: não dá, hahaha.
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Como era a sua rotina antes? O que te fez decidir deixar de trabalhar em uma empresa e aceitar “o trabalho mais difícil do mundo”, que não termina nunca?
Eu trabalhava muito, muito mesmo. Eram 9 horas dentro do escritório todos os dias, sem falar nas horas extras. E tinha uma cobrança muito grande em cima de mim, pelo cargo que exercia. E eu sempre me cobrei muito também. Chegava em casa tarde quase todos os dias. Ganhava muito bem mas não usufruia do dinheiro. Vivia preocupada com prazos, metas, preocupada em ser sempre altamente criativa, versátil, ágil. Quando engravidei, senti que a vida tinha que mudar. Aliás, antes de engravidar já sentia o ritmo sendo muito puxado, além do que eu conseguia e queria suportar.  Com a gravidez todo aquele “frenesi” parou de fazer sentido pra mim e optei por diminuir o ritmo, isto é, pedi demissão.  Sim, pedi demissão grávida e passei os 6 meses que restavam de gestação preparando a casa e a vida pra minha bebezinha que estava a caminho. Foi a melhor decisão: tive uma gravidez despreocupada, calma e sem cobranças. Todos me chamavam de doida… Mas conhecendo meu caso, doida seria se eu continuasse levando aquela vida louca com um bebê crescendo dentro de mim.
Assim que minha Helena nasceu tive certeza que não voltaria tão cedo ao mercado de trabalho: optei por viver uma vida mais apertada, mais simples, mas sem ter que abrir mão de estar perto da minha filha nos primeiros anos de vida dela! E já fazem 1 ano e 8 meses desde que ela nasceu. Trabalho 24 horas por dia agora, 7 dias por semana, mas é muito mais prazeroso e gratificante. Sinto que tenho feito a coisa certa, sinto minha filha crescendo segura, feliz e próxima de mim, da família. Sou muito presente e me sinto muito abençoada por poder estar em casa com ela. Agora ela já frequenta a escolinha, mas fica apenas 4 horas lá. A maternidade e ser mãe “full time” têm sido muito importantes e gratificantes pra mim como mulher, aprendo muito todos os dias. Não imagino diferente disso, não caberia outro tipo de vida nesse momento… seria muito complicado pra mim se não fosse assim.
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Me conta como é um dia comum na sua casa. Você tem uma rotina de atividades com a Helena?
Acordamos todos por volta das 08 horas, tomamos café da manhã juntos na mesa e brincamos até umas 10h30. Meu marido sai pra trabalhar, dou banho na baixinha, brincamos mais, dou almoço e coloco ela pra tirar uma sonequinha. Dorme cerca de 1hora/1hora e meia todos os dias depois do almoço… Nesse tempinho eu tomo banho, me arrumo, almoço e organizo a mochilinha dela. Às 14 deixo minha boneca na escolinha. Às 18 a busco e fazemos algum programinha ao ar livre: vamos ao Parque Lage ou ao Baixo Bebê da Lagoa… chegamos em casa, ela come uma frutinha ou um iogurte [já janta na escolinha], toma banho e vai pra cama. Antes de ela de fato dormir, sempre “conversamos” e conto umas historinhas, ela adora livros! De tarde, quando ela está na escola, tenho 4 horas “livres”. Nessas horas eu faço mercado, arrumo coisas em casa, vou ao curso de cerâmica 2 vezes por semana, vou ao médico quando preciso… são as 4 horas mais corridas do mundo!!!
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Existem momentos da vida da sua filha que vc acha que perderia se estivesse trabalhando? Quais?
COM CERTEZA. A proximidade de cuidar dela, dar banho, botar pra dormir, estar perto pra poder consolar quando chora, dar remédio, brincar… Todas essas coisas simples do dia-a-dia são tão deliciosas e preciosas… É muito especial cuidar de um filho.
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Quais são as maiores dificuldades de ser mãe em tempo integral?
A maior dificuldade é o cansaço físico e emocional. É um trabalho muito braçal, cansa o corpo. E cansa a mente também… Por isso valorizo muito os momentos em que a casa fica escura e calma, depois que ela já está dormindo de noite. Nessas horas eu e meu marido conversamos, jantamos juntos, eu leio, relaxo, fico literalmente de pernas para o ar :)
Antigamente era mais comum que as mulheres ficassem  em casa com os filhos, mas não era opcional. Depois de um tempo, elas partiram pro mercado de trabalho para competir com os homens. Hoje parece haver um retorno ao que era ser dona de casa, mas com algumas diferenças… quais são elas? Você acha que esse fenômeno está se tornando mais comum? Você tem amigas que também largaram ou mudaram de emprego para ficar mais tempo com os filhos, ou essa escolha choca as pessoas? Existe uma pressão para ser uma mãe presente, mas também bem sucedida profissionalmente?
Hoje em dia a mulher que fica em casa cuidando dos filhos ouve muitas críticas… acho que a grande diferença é essa. É como se cuidar dos filhos não fosse mais uma tarefa da mãe… Sinto que há um movimento recente de mães abandonando temporariamente suas vidas profissionais para acompanharem o crescimento dos filhos de perto, mas ainda é bastante raro e tido como algo retrógrado pela maioria da sociedade. A escolha choca muita gente, incomoda… Como se deixássemos nossos empregos para não fazermos nada em casa, apenas ver tv, ir ao salão e à academia… Gente, cuidar de filho dá muito trabalho!!
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Você pensa em voltar a trabalhar quando a Helena for maior? Se sim, da mesma forma que antes, ou com um perfil mais flexível?
Eu penso em voltar a trabalhar mas de uma maneira mais flexível, tendo um negócio pequeno e próprio. Não me vejo mais trabalhando 9 horas diárias e não podendo buscar minha filha na escola… mas também não tenho como prever, né? nunca se sabe o dia de amanhã! mas não gostaria mesmo!
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Uma vez que perdi o meu trabalho da época por estar grávida, resolvi unir o útil ao agradável e ficar em casa cuidando da Ana Elis pelo menos até que ela complete 6 meses. Depois disso, não sei. E vocês? Já pensaram em largarem ou trocarem de emprego para ficarem mais tempo (ou todo o tempo) com os filhos?
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Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade

14/03/2014Formando crianças que se formem sozinhas :: por Débora Camargo


Eu acho incrível como a internet faz a gente conhecer gente bacana. Sempre fui a favor disso e tenho uma série de casos de sucesso para enumerar. Um deles é a Debs, uma querida. A gente concorda em um monte de coisas eu eu sou uma fã da forma como ela se expressa: direta, engraçada, sem papas na língua e, mesmo assim, doce. Uma querida, com sacadas geniais. Com a autorização dela, publico um post do seu blog, o Deborices, que tem tudo a ver com o que defendo por aqui.

 

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Vocês conhecem a Chicco, aquela marca de brinquedos? Aquela que deveria estimular a inteligência, o desenvolvimento, transmitir valores… Toda essa baboseira que todo papi e toda mami quer pro seu filho? Então, tem duas propagandas dela que passam no meu canal favorito – o Discovery Home and Health – o tempo todo:

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“Com a cozinha da Chicco sua filha aprende a cozinhar pratos deliciosos” – ou algo assim

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“Com a oficina da Chicco seu filho aprende os segredos da marcenaria” – ou algo assim

Poxa, isso é motivo suficiente pra mim pra não comprar Chicco pros meus filhos quando eles existirem. Feminismo? Machismo? Não, empoderamento. Sei lá, eu acho que dizer que meu filho não será capaz de cozinhar sua própria gororoba ou que os dedos delicados da minha princesinha não poderão pregar um quadrinho na parede sem ajuda é meio que chamar eles de imbecis.

Quando eu tiver filhos, quero criar crianças pra vida, quero que meus filhos possam ir além de tudo que eu tiver ido.

Eu vou me sentir falhando miseravelmente se meu filho for um desses homens que morreriam de fome se sozinhos em uma casa com dispensa cheia quando a mulher não tivesse lá pra fritar um ovo. Já conheci imbecis incapazes de colocar leitinho no sucrilhos sem a esposinha fazer e, sinceramente, eu acho deprimente.

Já pra minha filha, tudo que eu não quero é a falta de independência que eu sinto quando percebo que algumas coisas simples da casa me fazem falta até a hora do marido chegar e consertar. Poxa, é muito, muito triste esperar dias pra que algo aconteça porque eu me considero incapaz de realizar. Por favor, filha futura, seja melhor que sua mãe nisso.

É claro, eu quero que meus filhos casem com quem quiser, tenham quantos filhos quiserem ou não e façam isso por paixão, por amor e por vontade. Nada mais triste do que gente que casa e se associa porque não pode viver sem o gênero contrário – como se gêneros fossem contrários – pra resolver pendengas. Quero gente livre.

Aliás, quero o bem dos meus netos também. Viciada que sou em Super Nanny, já percebi que quase toda casa que ela chega a primeira coisa a mudar é fazer com que o inútil do homem que produziu o pequeno demônio a ser domado consiga ser um pouco menos egoísta e ajude sua esposa por, sei lá, meia hora por dia. Todos chegam com o discurso de “Mas, poxa, eu já trabalhei o dia inteiro, o que custa ela me servir meu prato enquanto aquele capeta escala ela pelos cabelos gritando música da Galinha Pintadinha?”. Sério, tem homens que são pais, outros são doadores de esperma…

Enfim, o que eu acho no fim das contas é que se seu problema é nome, isso não é feminismo, não é machismo, é essa ideia louca de que todo ser humano tem direito de ser livre, se virar sozinho, ser feliz, curtir a vida, não depender da boa vontade, não viver uma escravidão velada, não conceber desde a infância que algumas ideias são pra quem tem pombinha e outras pra quem tem piupiu.

Ou seja, é feminismo, sim, graças a Deus. Mas se for pelo bem de uma geração menos leite com pera, sei lá, eu até deixo vocês mudarem de nome pra ficar mais confortáveis. O importante é não aceitar mais que um mega fabricante de brinquedos fique rico dizendo o que uma mocinha poderá fazer ou não no futuro. Eu espero confiar nos meus filhos mais do que isso. E espero que vocês também.


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade

10/03/2014ALERTA DE POST GIGANTE :: Meu relato de parto


Sim, estou de volta! Mas não sei por quanto tempo. Na verdade, não sei como vai ser a minha vida daqui pra frente em vários aspectos, e o blog é um deles. Queria ser uma coisa meio Clarice Lispector e conseguir escrever enquanto os filhos correm pela casa, mas o máximo que consegui foi escrever uma linha no notebook com Ana Elis mamando e engolindo ar. Aproveito que ela está completamente bêbada de leitinho para escrever um pouco por aqui. Vamos ver se vai rolar.

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Acordei antes das sete da manhã da quarta-feira, dia 29/01, com uma onda de cólica. Ela começava fraca, depois subiiiia e descia. Durou poucos segundos, mas eu sabia que era o dia da minha filha chegar. No anterior, o tampão mucoso tinha saído quando eu fui ao banheiro – não sabia se ria ou chorava e, na dúvida, fiz os dois – então foi com um sorriso que eu avisei ao João: é hoje. A contragosto, ele foi ao trabalho, até porque a coisa ainda ia demorar para acontecer.

Durante a manhã mandei uma mensagem para o meu médico e parti para o consultório dele ao meio dia. A essa altura, estava com contrações que vinham a cada 6 minutos (baixei um aplicativo para medir e criar gráficos, se chama Contractions) e duravam uns 40 segundos, mais ou menos. Tudo perfeitamente suportável. Fui para o consultório de ônibus e na volta ainda parei para comprar creme de cabelo. Meu obstetra me examinou e viu que Ana Elis já tinha descido um pouquinho, mas ainda não estava encaixada. Na hora ele não disse, mas achou que eu internaria poucas horas depois de vê-lo. Mas não foi o que aconteceu.

Voltei para casa e continuei sentindo contrações durante toda a tarde. João no trabalho, telefonando, mandando mensagem, preocupado. Eu estava tranquila e feliz, Ana Elis estava vindo, o que mais eu poderia querer?

Por volta das 17h as dores começaram a ficar mais intensas. Eu, que achava que poderia fazer uma focaccia enquanto sentia dor (amassando a massa e colocando para fora as tensões, imagina), vi que, conforme me disseram previamente, não dá pra fazer nada durante uma contração de verdade. Durante 40 segundos eu só conseguia senti-la, e depois disso vivia 6, 7 minutos de vida normal.

A dor foi aumentando e, quando João chegou, às 18h, já estavam mais brabas. Eu só conseguia andar pela casa. Foi aumentando a dor, mas os intervalos continuaram os mesmos. Mandei uma nova mensagem para o meu médico: só valeria a pena ir ao hospital se os intervalos entre as contrações fossem menores que 5 minutos.  Eu só poderia esperar (e aguentar). Fui tomar banho, ver tevê, deitar na cama. As horas passando, a dor aumentando. João resolveu pedir uma pizza. Não consegui comer mais que uma fatia.

Lá para as 22h eu estava loucona de dor. João assumiu o meu celular para medir as contrações e se comunicar com o médico. A gente tinha lido um livro sobre gravidez e pesquisado na internet as melhores posições para aliviar a dor e ajudar no parto, então eu fui tentando cada uma delas. Quer dizer. Algumas delas. Muitas vezes eu só queria ficar deitada na cama, mas João insistia em tentar uma nova postura, usar a bola de pilates (peguei emprestada com a cunhada), mudar de lado. Acho que foi a partir daí que eu comecei a ser grossa com ele, coitado. Ele lá, tentando ser racional, e eu sentindo uma dor que tendia ao irracional. Não tem como ser fofa durante uma contração.

Depois da meia-noite eu só queria ir para o hospital. Na minha cabeça, internar significaria estar mais perto do parto, que significaria estar mais perto do fim da dor. Falando assim é complicado, mas existe uma coisa animalesca na dor do parto. Ou talvez na dor de uma forma geral. Ela te liberta de quaisquer outras preocupações – não tem mais frio, não tem mais calor, interações sociais, nada. Você não se preocupa com o que os vizinhos vão achar, com as pessoas na rua, com o pobre do marido segurando sua mão e massageando suas costas. É uma luta pela sobrevivência. Você quer sobreviver, você quer ver seu filho, você quer que aquilo acabe.

Só cheguei no hospital/maternidade (Perinatal, aqui no Rio) às 2 da manhã. Acho que o João voou baixo com o carro, mas eu achei que demorou, porque tive umas duas contrações no caminho (que, pensando bem, deve ter durado 10 minutos no máximo) e, no trabalho de parto, você vive no ritmo das contrações - daqui a duas contrações eu vou tomar uma ducha. Daqui a 5 contrações o médico vai chegar, com certeza - e já cheguei lá dando gritinhos de dor. Uuuuuuuuui. (As recepcionistas olhando pra mim com cara de pena). Aaaaaai. (A recepcionista pedindo meus documentos). Uuuuuuui. (A enfermeira medindo minha pressão). Aaaaaaaaaaaai.

Tive que ficar na emergência até o meu médico chegar, por volta das 4h. E eu só queria entrar no chuveiro (faz a maior diferença, fica a dica). E a médica falava com o meu obstetra que meu colo estava bem fino, mas a dilatação ainda estava em 3. Três, porra?! Eu queria chorar de descontentamento. Três é muito pouco para quem precisava chegar a dez. João correndo de um lado para o outro, ligando para o obstetra, brigando com a médica, tudo para poder me colocar em um quarto. No desespero, descobri que tinha um chuveiro na emergência. Arranquei a roupa e entrei debaixo da água morna – não disse que era uma luta pela sobrevivência? – e lá fiquei até ser internada.

Vestida com a camisola do hospital, sentindo dores que chegam a cada 5 minutos e parecem cada vez mais fortes, você vira bicho. Vira mesmo. A bunda de fora não te preocupa mais, é sério. Às seis, na sala de parto, os gritos já saíam espontaneamente. Não sei se eram altos, se assustavam as pessoas. A dor é um grande foda-se para o mundo. Deve ser assim na guerra.

A essa altura eu só conseguia pensar na analgesia. O meu obstetra, muito calmo, era a reencarnação de Buda, e explicava que eu só deveria toma-la quando tivesse 5 de dilatação, e eu não tinha. Apesar do colo do útero fino e das contrações fortes e frequentes, a cabeça do bebê ainda estava muito alta. Eu precisaria esperar mais um pouco. Pensando agora, eu devia estar um bagaço. Mas, mais uma vez, eu não me importava: queria a danada da injeção. Eu só queria dormir um pouquinho, recobrar as energias, já que a essa altura eu não conseguia nem ficar andando pelo quarto.

Tomei a analgesia às 6:30 mais ou menos. Analgesia, diferente de anestesia, não faz com que você deixe de sentir as contrações: elas continuam lá, com o mesmo intervalo, só que mais fracas. Dá para andar pelo quarto, fazer força, era tudo que eu precisava. O efeito durou pouco mais de uma hora. Nesse meio tempo, a bolsa estourou e eu renovei minha esperança de ter a Ana Elis de parto normal.

As contrações voltaram com força total, mas às 9h meu obstetra veio me medir novamente e a cabeça do bebê ainda estava alta. Pouco depois, ele mediu os batimentos dela e viu que, durante as contrações, eles estavam começando a cair – a longo prazo, isso pode indicar sofrimento fetal. Nessa hora, eu tive duas opções, ambas asseguradas pelo médico: tomar uma nova analgesia, estender o trabalho de parto e esperar um pouco para ver se o bebê iria encaixar (sem saber quanto tempo isso poderia demorar) ou fazer uma cesárea. Eu sentia tanta dor que pedi outra analgesia só para conseguir pensar a respeito.

Optei pela cesárea. Para mim não fazia sentido prolongar mais o meu sofrimento e ter um potencial risco para a Ana Elis. Tudo o que eu queria já tinha acontecido: minha filha “escolheu” o momento de nascer, e não eu. Com 41 semanas exatas, no dia 30/01, só caberia a mim definir a hora. Então, às 11:09 ela saiu da minha barriga. A cesárea em si foi muito rápida, e eu fiquei mais nervosa com a anestesia (tive um breve ataque de pânico quando me dei conta de que nunca tinha feito uma cirurgia na vida, que iam cortar 7 camadas de tecido no meu abdômen, que eu poderia ter uma reação aos medicamentos) do que com o procedimento em si. Quando ela saiu, quando colocaram minha filha enrolada em um paninho verde, quando ela passou do meu lado e eu só vi a bochecha gordinha, quando só ouvia os berros do choro dela tudo o que eu queria era vê-la. Naquele segundo fez sentido tudo o que falaram, que o foco daquilo tudo era ela e não eu. Só conseguia chorar quando colocaram ela em cima do meu peito, mas meus braços estavam moles por causa da anestesia. Eu tive um medo incrível dela cair, de fazer tudo errado, de falhar. João rindo e chorando ao fundo. O médico perguntou se ela era o que eu imaginava: não (minha voz quase não saiu). É muito mais.

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Postado por Fernanda Alves | Categoria: Maternidade

05/03/2014“You can’t eat beauty” – mas como é incrível ter uma it girl negra!


Outro dia eu estava em casa com o marido vendo o Vídeo Show quando fizeram uma retrospectiva com a Letícia Spiller. Ao ver as imagens da época das Paquitas, João falou: nossa, mas isso era o auge do racismo, não é? Não sei se era o aaaauge do racismo, mas lembro de, quando criança, sequer cogitar a hipótese de ser uma – isso numa época em que todas as meninas queriam fazer parte do staff da Xuxa. Na minha cabeça o desejo não existia simplesmente por não ser algo possível, seria como desejar poder voltar no tempo ou algo assim.

O tempo passou, eu cresci e me tornei uma pré-adolescente cheia de pequenos complexos. Me lembro de odiar minha barriga, meus lábios cheios, minhas sobrancelhas grossas, minhas coxas roliças. Lembro de tentar emagrecer, me lembro das paixonites pelos meninos, lembro até das roupas que eu tinha nessa época, mas não me lembro de me sentir bonita. E, como sempre gostei muito de ver TV, tenho a nítida lembrança de raramente ver atrizes negras nas novelas, comerciais e telejornais – e não, eu não passei minha juventude na Suíça.

Por isso é tão maravilhoso ver atrizes e modelos negras na mídia hoje. E agora, mais do que isso, ver uma it girl negra, de origem mexicana/queniana ganhar um Oscar e se tornar uma referência de moda é incrível. A ascensão de Lupita Nyong’o  refresca um termo que já estava se tornando insosso, sempre relacionado a jovens herdeiras que parecem ter sempre tão pouco a dizer. Sei que Lupita é mais do que isso, claro. Mas é que ser uma referência de moda, dessas que são disputadas entre as principais publicações, que todos os estilistas querem vestir, que ganham lugares na fila A dos desfiles sem suar é, também, uma vitória para as mulheres negras. Entrar em um mundo que se gaba de sua exclusividade e elitismo e, mais do que isso, ser louvada por ele é para poucos. Só consigo lembrar da Rihanna exercendo esse papel – e, convenhamos, Lupita, uma moça formada em Yale e que faz um discurso com esse promete bem mais do que a cantora:

Eu espero que a geração da Ana Elis tenha mais e mais referências de mulheres negras, seja na moda, no cinema, nos cargos mais altos das grandes empresas. Gente que você possa apontar e dizer não que queria ser assim, mas eu posso ser assim. Palmas para Lupita!

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 Usando verde esmeralda na cerimônia do BAFTA

 

Lupita3 Em ensaio para a Vogue

Lupita_fila A Fila A, meu bem!

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Com vestido do estilista Peter Pilotto

Lupita5jpg inspiração Inspiração pura.

P.S.: O gatilho para escrever esse post vem da Ana, do blog Hoje Vou Assim Off, e esse post divino que faz a gente repensar um monte de coisas.

 


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Modinha
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27/02/2014Três anos de pura gostosura :: por Fernanda Deferrari*


Eu conheci a Grazi ainda na barriga da Fêzinha. Lembro que foi a primeira vez que vi uma barriga de grávida mexer, e aquilo mexeu comigo. Tomei um susto! Depois, em uma nova vista a São Paulo, já conheci a Grazi “do lado de fora”, toda fofinha, louca para colocar o controle remoto na boca. Hoje com 3 anos, Grazi continua aprontando ;)

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Parece que foi ontem o dia que sentei no sofá, levantei e achei que tinha feito xixi (“muito peso para minha pobre bexiga”, pensei). Mãe de primeira viagem…logo descobri, e não vou descrever aqui, que minha bolsa havia estourado. Corre, corre, pega malinha, vai pro carro, transito dos infernos as 10 da noite de um sabadão, marido abrindo janela e gritando “tá em trabalho de paaaaaarto!!!!”. E minha filha nasceu preguiçosamente só no dia seguinte às 3 da tarde.

Cuidar de um bebezinho não é fácil, não mesmo. Choram e você chora junto às vezes. Será que é fome, medo, fralda, cólica, dente, tédio, dor de garganta? Ai meu Deus, não vejo a hora de começar a falar!

PLIM

Pois é…acontece que eles crescem, e é mais rápido do que podemos imaginar quando são bebezinhos. Aprendem a andar, aprendem a falar, tão lindo! Mas também aprendem a correr, escalar os móveis em busca de chocolate, responder coisas que nos deixam de cabelos em pé. E aí, TODA, mas TODA aquela dúvida das mães sobre “será que estou cuidando direito?”, se transforma automaticamente em “será que estou educando direito?”. Ou seja, as dúvidas nunca desaparecem, apenas mudam de foco.

Algum desavisado, vendo uma crise de birra de criança alheia no shopping , com certeza já disse: “se fosse meu filho, jamais faria isso, porque crianças devem ser  bem educadas, devemos usar psicologia, blábláblá”. Alô! Ninguém gosta de criança gritando em lugares públicos, muito menos os pais. E como fazer para parar uma dessas crises? Então, se alguém descobrir, me conta. Já consegui com McLanche Feliz, bala, sorvete, brinquedo. Outras vezes nada funcionou, nem os métodos menos ortodoxos…é se recolher e ir embora. Aí, claro, a criança entra no carro e dorme. Ah tá! Era sono.

E aí Fernanda, o que é certo e errado na criação das crianças? Essa é a pergunta que não quer calar, e todos tem uma resposta para ela – diversas vertentes da psicologia, diversas vertentes de mães pelos fóruns da vida na Internet, todas as avós, as tias – cada um tem um palpite diferente. Então, se você que está lendo é mãe de um bebezinho, está grávida ou pretende ter filhos, só o que posso dizer é: o certo é aquilo em que você acredita. Não adianta fazer algo que a vó, a tia, a vizinha, a prima e a amiga falam que é certo se você simplesmente não concorda e não se sente confortável. Criar filhos vem do coração…abandonem as Encantadoras de Bebês e sigam a intuição – ela é normalmente mais sensata e uma melhor conselheira.

Por aqui eu sigo tentando. Entre erros, acertos, mudanças de opinião e muita tentativa, Grazi está com 3 anos de pura gostosura, tão educada quanto poderia ser e tão sem educação quanto o esperado!

Ferias!

* Fernanda Defferrari, mãe da Graziela, faxineira, cozinheira, babá, enfermeira, contadora de histórias e administradora nas horas vagas. Já gostou de festas, baladas, filmes, livros, yoga, agora só sente preguiça e gosta mesmo é do sofá. Social Media addicted e fotógrafa de meia-tigela. Já disse “mãe da Graziela”?


Postado por Fernanda Alves | Categoria: Sem categoria