TBT :: Vamos parar com isso de uma vez por todas?

Em 2009 eu criei o blog, originalmente lá no wordpress, para falar de moda, beleza e bobagens. Toda quinta, na onda do Throwback Thursday, teremos a republicação de um post antigo para que novos leitores conheçam – e antigos leitores relembrem!

[Post originalmente publicado em Junho de 2011]

Dia desses tava no ônibus (devia ser na van, mas finjam que tenho um mínimo de glamour) quando ouvi o seguinte papo entre duas moças:

_Pois é, a Creuzinelly (insira aqui sua consoante) puxou o cabelo do pai. Aquele cabelo ruim que só. Tenho que levar no salão urgente! 

 _ Ai, nem me fale. Isso é uma praga na vida. Faz um relaxamento nela.  

_ Pois é, tenho que fazer. Quando ela era menorzinha, tinha um cabelo melhor, mas foi só fazer uns 4 anos que eu vi que não ia prestar, ia ficar com aquele cabelo duro do pai. É muito ruim, menina, você tem que ver. Na parte de trás ainda tem jeito, mas na frente é aquele bombril. Podendo puxar o meu cabelo, né, que é um pouco melhor. Mas não, tinha que puxar o dele. Como ela já está com cinco anos, vou levar no salão e passar uma guanidina.  

(um minuto de silêncio)

.

Gente, eu comecei a fazer relaxamento com 10 para 11 anos. Com 22, quando voltei a usar o meu cabelo cacheado pela 1ª vez, eu não sabia mais como ele era. Isso porque eu tinha certeza de que ele era “ruim”. Mas aí eu pergunto: “ruim pra quem?”. Eu parei pra me questionar sobre esse termo tão depreciativo que a gente usa todos os dias, que a gente escuta como se fosse normal. Deixa eu te dizer, amiga: não é. Um cabelo pode ser crespo, cacheado, ondulado, liso… mas não é “bom” ou “ruim”. Vamos parar com isso?   Quando a gente diz que um cabelo é “ruim” carrega com uma palavra tão simples uma carga de preconceitos enorme, que remota de tempos coloniais. Uma carga de racismo que a gente pensa que não existe mais. “Opa, Fernanda, tá me chamando de racista?”. Desculpa, amiga, mas estou. Você não percebe, mas está sendo racista. E esse racismo, esse que mora dentro da gente e que a gente não percebe, que cresceu com a gente, é um dos piores que existe.   No entanto, não quero dizer que quem alisa o cabelo é menos negro. É menos orgulhoso. Tem quem acredite nisso, mas eu não. Eu já usei o cabelo de tantos jeitos diferentes, sabe? Hoje uso o black, mas se amanhã quiser acordar Beyonça, minha filha, vocês vão ficar sabendo. Alisar, relaxar, pintar, tudo isso tem que ser uma opção, não a única saída na vida. Cabelo é uma questão de gosto, de personalidade. E ninguém tem o direito de dizer que o seu cabelo é ruim (ou bom). Se disserem, responda, na cara de pau: “o que foi que ele te fez?”

crespos

Deixe uma resposta