Praia do Aventureiro com crianças

A praia do Aventureiro, na Ilha Grande, faz parte de um conjunto de recordações boas da minha adolescência e começo da vida adulta. Era pra lá que eu ia com os amigos da escola, no começo do meu namoro com o João, até uns 20 e poucos anos, quando me formei e passei a visitar outros cantos.

O nome do destino faz jus a dificuldade em chegar lá. Para quem sai do Rio, é preciso viajar por duas horas até Angra dos Reis e, de lá, pegar um barco (de pescador ou lancha) até a praia, que fica no extremo oposto da Vila do Abrãao, lado mais acessível e urbanizado da Ilha Grande. Por isso, desde já eu quero deixar uma coisa bem clara: essas dicas de viagem são para quem está disposto a encarar alguns perrengues. A luz no fim do túnel tem a forma de uma praia linda e rústica, um dos meus lugares preferidos no mundo.

Nossa história (minha e do João) com o Aventureiro foi o motivo principal para querer levar a Ana Elis (com 3 anos e 10 meses) pra lá. A escolha por acampar também foi pessoal, baseada na nossa experiência anterior. Depois de tantos avisos, vem comigo pro paraíso!

Autorização

Assim como Fernando de Noronha e outras reservas naturais, há um número limitado de visitantes que podem estar no Aventureiro por vez. Por isso, é preciso assinar um termo de responsabilidade e receber uma autorização (pulseirinha) da TurisAngra antes de viajar. Reza a lenda que fiscais aparecem pela praia nas datas de maior movimento e expulsam quem não tiver a autorização consigo.

Como a gente fez: ligamos antes e soubemos que a TurisAngra (Av. Ayrton Senna, 454 – Praia do Anil (24) 3369-7704) abriria às 6h no dia do feriado. Chegamos por volta das 7h e pegamos a pulseira sem problemas ou filas.

Os três com cara de sono, a caminho da TurisAngra

Como ir

Como eu disse antes, só dá para ir ao Aventureiro saindo de Angra. Nós fomos de carro e, saindo do Rio, o percurso durou pouco mais que 2h. Há empresas de ônibus que fazem o trajeto, com custo por volta de R$ 70.

De Angra sai um barco para Aventureiro, e é aí que o bicho começa a pegar. Você não compra o bilhete desse barco em uma central, mas diretamente com o barqueiro. Em épocas mais concorridas, como véspera de feriado, fim de ano e Carnaval, basta chegar no Cais de Santa Luzia que eles começam a oferecer a viagem, que custa R$ 50 no barco lento, R$ 70 no rápido. Agora, se você quiser ir em uma data qualquer, talvez seja melhor entrar em contato com um barqueiro previamente.

A viagem no barco lento demora 2h30m.

A viagem no rápido (Flex) demora 50 minutos.

A escolha parece óbvia, né? Então corre, que o Flex esgota rapidinho e só tem uns 50 lugares.

O barqueiro que faz essa viagem rápida é o Ferreira: (24) 99827-1376, mas atenção, campeão! Ele não faz a viagem de volta. Não importa quantas promessas ele te faça, é pouco provável que o Flex te leve de volta pra casa no fim da sua estadia no Aventureiro, e não tem Procon que te salve dessa.

Como a gente fez: fomos de rápido e voltamos de lento, enjoados e vomitando na primeira hora de viagem (depois melhora).

Família tranquila no barco mais rápido para Aventureiro

Onde ficar

A lista completa de campings está disponível aqui. Não recomendo ver as fotos, tudo parece ruim. O que vale a pena, pra mim, é chegar cedo e olhar direitinho aqueles que tem a melhor infra, ao vivo. A gente costuma avaliar: se o terreno é fofinho (areia) ou duro; se tem raízes; se tem sombra; se a cozinha do camping é ok; quantos banheiros tem e se são ok também.

Para quem não quer se aventurar nesse nível (o que é compreensível), já existem “chalés” e hostels nesse lado da Ilha. Mas vale lembrar que tudo é meio precário (ou rústico). Peguei alguns contatos:

Tia Vera serve tapiocas, café da manhã e ainda tem um pequeno hostel.

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Esses são os chalés/quartos oferecidos pelo Camping do Luís.

Como a gente fez: Ficamos no Camping nº 3, um dos mais novos por lá, com terreno de areia, sombras e banheiro com água quente. A cozinha tinha fogão, então nem precisamos usar o nosso fogareiro. Pagamos R$ 20 a diária, por pessoa (criança não paga).

 

Onde comer

Os maiores campings geralmente oferecem PF na alta temporada. A gente embarcou naquela de que recordar é viver e fomos direto ao camping do Luís, onde traçávamos PFs gigantes aos 18 anos. O tempo passou e os PFs diminuíram, certeza. Mas ainda vale a pena comer um peixinho frito com arroz, feijão e fritas (não, ninguém está aqui pra fazer dieta). Como se trata de uma Ilha, os preços são altos, na minha opinião – mas a cerveja e o refrigerante são gelados de um jeito que eu não sei se é magia ou tecnologia.

Alguns dos preços do Camping do Luís

O que fazer no Aventureiro (com criança)

João sempre se intitulou “menino-peixe”, Ana Elis se diz sereia. Então posso dizer que somos uma família praiana. Então, nossos dias se resumiam a acordar cedo (umas 7:30, quando a barraca ficava clara), fazer “café da manhã piquenique” com a canga estendida na areia de praia e passar o dia nos revezando entre a praia principal, a Praia do Demo, o píer e o mirante. Para 3 dias foi mais do que bom. Ana Elis fez amizade com um casal de irmão de 3 e 5 anos, com quem ela passava o dia pensando em aventuras e fazendo bolinhos de areia.

No mais, era acordar cedo, comer quando se tem fome, cochilar quando se tem sono, passar o dia brincando e dormir cedinho.

Pai peixe, filha sereia (ou bailarina, depende do momento)

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Tá nessa fase que só faz pose de bailarina. No Píer.

Família no (início da subida) do Mirante (reparem na ponta da bailarina)

O que levar (para as crianças)

Com quase 4 anos, Ana Elis fez a própria mala de brinquedos. Levamos os tradicionais de praia (baldinhos, pás e panelinhas), e também livros e os bichos que ela mais gosta na hora de dormir. Tinha também uma revistinha dessas de colorir para o caso de ter que esperar por alguma coisa, e só. A maior alegria eram os dias de sol com os amigos mesmo.

Companheiros de viagem =)

O que levar (de comida)

Vou falar sobre isso em um post dedicado apenas a como acampar com crianças. Esse aqui já está gigante e, se você chegou até aqui, já está com meio caminho andado para fazer a mala. Partiu?