Mártir pela causa

É algo como um sofrimento orgulhoso. Se você é blogueira fitness, deve ser o mesmo que dizer “meu Deus, não sei o que é glúten há um ano! Nem lembro mais o gosto de um pãozinho”. Se curte uma onda workaholic, é o novo “não tiro férias há 5 anos! Estou acabado!” Entre as mães, dizer que não dorme é isso aí, um sofrimento feliz, quase um orgulho (algo me diz que vou apanhar por conta desse post), uma forma de dizer “sou uma de vocês”. Se seu filho tem mais de um ano então, bem-vinda ao clube: vão chover tapinhas nas costas e mensagens de apoio e compreensão. Tamo junto.

[Corta para as mães indignadas comentando que estou louca e que esse blog é uma merda. Mas deixa eu explicar]

É claro que ninguém gosta de acordar a cada duas horas com o som de um bebê chorando. Mas é quase como se o não dormir coroasse a sua maternidade. Maternidade é renúncia, ser mãe é padecer no paraíso, etc e etc. Quer renúncia maior que abrir mão do tão merecido descanso? Então é isso: se você não dorme bem, então você é uma mãe, querida. Pode tatuar “100% mãe” no antebraço. E de quebra anote a frase que você mais vai ouvir nessa vida: “seu sono nunca mais será o mesmo, viu?”. Que animador.

Ah, seu filho dorme a noite toda? Se eu fosse você não divulgava muito essa informação. Dormir a noite toda não rende muitos tapinhas nas costas.

 

Em tempo: Conto nos dedos de uma mão as noites que Ana Elis dormiu direto. Por aqui, com 2 anos completos, seguimos com uma média de 2-3 acordadas/noite. E, como tudo na vida, eu me acostumei, mas depois cansei. Hoje não aguento mais a batida, e não sei como vai ser quando eu conseguir um emprego formal e precisar me concentrar em uma tarefa por mais de 20 minutos. Alguma dica?